A trajetória dos Strokes em seus álbuns, da vigorosa obra-prima de estreia "Is This it", em 2001, ao sexto e fracote disco "The New Abnormal", lançado há seis anos, mostra um grupo que tenta se desamarrar do sucesso inicial. Nem que para isso o quinteto tenha de fazer álbuns tão diferentes que não mostram nem um pouco do talento latente na banda.
Essa infrutífera busca por outra pérola roqueira foi acompanhada de inúmeras turnês dominadas por um desânimo crônico. Shows chatos e arrastados, prejudicados também por uma atitude blasé diante do público, só pioraram as coisas. Por isso que a participação deles no Coachella, há quatro meses, deixou todo mundo interessado no sétimo álbum, "Reality Awaits". No palco do festival californiano, os Strokes voltaram a brilhar e mostrar gana para tocar.
Valeu a pena esperar pelo álbum recém-lançado? Mais ou menos. Nele, o grupo nova-iorquino não tenta reproduzir "Is This It" nem capitalizar sobre a nostalgia em torno de sua estreia. O disco expõe uma tentativa de ampliar a pegada experimental da fase recente da banda. Acaba soando irregular, mas no bom sentido.
Embora tenha momentos simplesmente eletrizantes, o novo trabalho traz menos refrães instantâneos e mais desvios, mudanças de textura e ideias estranhas, aparentemente incompatíveis, às vezes até dividindo a mesma faixa. Se os Strokes eram originalmente rarefeitos, com uma certa economia na arquitetura das canções, agora parecem um pouco o Voidz, projeto paralelo do vocalista Julian Casablancas.











