Gerando resumoA TIM Brasil fez uma revisão do seu portfólio com o objetivo de ampliar o número de clientes e a receita média por usuário. A partir de agora, dará mais ênfase aos pacotes de serviços “convergentes”, isto é, que reúnem internet móvel, banda larga fixa e serviços digitais, como streaming de vídeo — o que representa uma mudança de rota.PUBLICIDADEA TIM lançou em julho, pela primeira vez, uma oferta combinando plano de celular e banda larga, o TIM Ultracombo, simplificando a experiência dos clientes. No mesmo mês, o grupo lançou o TIM Play, plataforma própria que reúne canais ao vivo, filmes e séries.As ofertas baseadas em serviços convergentes são amplamente divulgadas pelas rivais Vivo e Claro há tempos como forma de atrair e reter clientes ao juntar vários serviços numa só fatura. Tal prática frequentemente motiva analistas e investidores a indagarem à TIM se pretendia seguir o mesmo caminho, especialmente por perder clientes com portabilidade.PublicidadeTIM negocia com a Starlink uma parceria para oferecer internet por satélite diretamente no celular Foto: Fabio Motta/EstadãoNos últimos anos, a TIM não priorizou esse modelo porque não tem uma cobertura nacional de fibra ótica. Cerca de 95% do seu faturamento vem dos planos de internet e telefonia móveis, nos quais concentrou seus esforços comerciais. “A convergência não é algo tão importante”, avaliou o presidente da TIM, Alberto Griselli, em entrevista ao Estadão/Broadcast em maio do ano passado.Leia tambémTIM Brasil não está à venda e é considerada uma ‘joia’ por novo controlador na Itália, diz CEOCPFL fecha contrato de R$ 60 milhões com a TIM para rede de energia inteligenteAlerta de El Niño intenso mobiliza empresas de telefonia a investir em resiliência climáticaDe lá para cá, entretanto, a companhia decidiu recalibrar a estratégia em função de mudanças no mercado, afirmou Griselli, em uma nova entrevista exclusiva. “Continuamos tendo o setor móvel como core (negócio principal), mas há algumas evoluções e ajustes finos em nossa estratégia em comparação com o que tínhamos algum tempo atrás”, afirmou.O primeiro ponto, citou, é que as ofertas convergentes ganharam mais participação nas ações comerciais do mercado como um todo. Essa iniciativa se difundiu no mercado de telecomunicações, sendo adotada também por provedores regionais de grande porte, como Nio, Brisanet, Unifique e Vero, entre outras. “Antes era só Vivo e Claro. Hoje, há mais empresas. Os pacotes convergentes estão mais presentes na mente dos consumidores”, apontou o executivo.PublicidadeO segundo ponto é que a TIM comprou a totalidade de participação na empresa de fibra ótica I-Systems, que tem uma rede relevante em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, conferindo maior autonomia para a operadora na definição das suas ofertas comerciais. “Juntando essas duas coisas, temos mais interesse em complementar nosso portfólio com o tema da convergência. Apesar de pequena, a receita com banda larga é a que mais cresce”, ressaltou.No segundo trimestre, a receita de banda larga foi de R$ 416 milhões, um salto de 27% na comparação anual. Ainda assim, representa cerca de 5% do faturamento total, de R$ 6,9 bilhões.Outra mudança no portfólio foi a introdução do plano Controle Fit, com planos mensais e anuais para usuários via pagamento no cartão de crédito, o que reduz a chance de inadimplência. As ofertas partem de R$ 30 mensais por 30 gigabytes, visando atrair consumidores que ficam no pré-pago.Publicidade“Esse conjunto de medidas visa aumentar a monetização da base de clientes, ganhar receita média e ter mais atratividade no mercado, o que deve se traduzir em maior participação na adição de clientes nos próximos trimestres”, explicou o presidente da TIM Brasil.StarlinkO presidente da TIM confirmou ainda que negocia com a Starlink uma parceria para oferecer internet por satélite diretamente no celular (tecnologia chamada D2D). Hoje, as empresas já atuam juntas em projetos de conectividade para escolas públicas. “Há possibilidade para expandir para outras áreas, incluindo D2D”, comentou.A ideia é que a internet por satélite seja um complemento nas áreas remotas, onde o sinal tradicional de 4G ou 5G não chega, pois dependem de torres e antenas no solo. No entanto, a geração atual de D2D ainda é limitada, oferecendo apenas funções como chamadas de voz emergenciais e mensagens de texto.PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEA Starlink tem planos de lançar uma segunda geração de satélites até o ano que vem, o que permitiria uma velocidade de navegação equivalente ao 3G ou 4G. “O que nos interessa é essa ‘gen 2’, para 2027”, apontou. “Nessa ‘gen 1’, estamos avaliando se o custo de marketing pode fazer sentido ou não”.B2BA operadora segue ainda crescendo no segmento de internet e tecnologia para clientes corporativos, o B2B. A contratação de novos projetos nessa linha atingiu R$ 192 milhões no segundo trimestre, um recorde, refletindo a forte demanda na área, vinda de empresas de logística, infraestrutura, agronegócio e energia. Um exemplo disso é que, recentemente, a CPFL Energia fechou um contrato com a TIM para a instalação de uma grande rede privativa de internet no interior de São Paulo e do Rio Grande do Sul. O investimento será de R$ 60 milhões. A receita acumulada pela tele em B2B nos últimos 12 meses chegou a R$ 1,746 bilhão, crescimento de 16,6% na comparação anual.Questionado sobre a falta de interesse pela Oi Soluções (a TIM se habilitou para o leilão, mas não deu lances), Griselli afirmou que o valor mínimo indicado pelo edital não estava de acordo com o valor dos ativos. “A nossa análise mostrou que o valor não estava congruente.”Publicidade