O boom da IA está distorcendo os sinais econômicos nos quais os bancos centrais se baseiam para definir a política monetária, aumentando o risco de cometerem erros prejudiciais, alertaram economistas do BIS (Banco de Compensações Internacionais).

Funcionários da organização sediada na Basileia, que assessora os bancos centrais do mundo, afirmaram que o efeito da IA sobre investimentos, comércio e preços de ativos era poderoso o suficiente "para moldar as perspectivas globais em tempo real", sustentando o crescimento diante de tensões comerciais e choques geopolíticos.Esses efeitos agora são "grandes e destacados" e podem aumentar as pressões sobre os preços, disseram eles, observando que os gastos com data centers e instalações de fabricação de TI nos EUA subiram para 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto o efeito riqueza dos ganhos nos preços das ações está impulsionando os consumidores.

A IA também poderia ter efeitos desinflacionários, no entanto, caso melhorasse a produtividade —ou se preocupações com perdas de empregos relacionadas à IA reduzissem os gastos e diminuíssem o poder de barganha dos trabalhadores.

Avaliar a extensão e o momento desses efeitos são desafios para os bancos centrais, alertaram os economistas do BIS, porque o forte crescimento do PIB pode simplesmente refletir o boom temporário de investimentos e os efeitos riqueza, enquanto ganhos de produtividade mais duradouros são "incertos e difíceis de medir"."A força relativa e o momento dessas forças permanecem incertos", comentaram os economistas em uma análise publicada no último boletim mensal do BIS nesta terça-feira (28), acrescentando que "efeitos inflacionários de curto prazo podem já estar surgindo", enquanto "efeitos desinflacionários provavelmente surgirão de forma mais gradual".