Para Guilherme Benchimol, um reequilíbrio das contas públicas é pré-condição para atração de mais investimentos ao país e para o desenvolvimento de um mercado com maior participação em ativos de risco 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Guilherme Benchimol, fundador e presidente-executivo do Conselho de Administração da XP — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 10:45 Guilherme Benchimol: Ajuste Fiscal é Chave para Investimentos no Brasil Guilherme Benchimol, fundador da XP, defende que um ajuste fiscal é essencial para atrair investimentos e desenvolver um mercado financeiro mais robusto no Brasil, com menor dependência de ativos atrelados ao CDI. A XP, que busca expandir sua participação de mercado, enfrenta desafios como altos juros e déficit fiscal, enquanto aprimora governança e diversificação de serviços. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Guilherme Benchimol, fundador e presidente executivo do Conselho de Administração da XP Inc., faz um alerta: um ajuste fiscal é necessário para que o país consiga reduzir os juros e criar um ambiente de investimentos sustentável. Um dos maiores empreendedores do Brasil afirma que não há atalho — um reequilíbrio relevante das contas públicas é pré-condição para atração de mais investimentos ao país e para o desenvolvimento de um mercado de investimentos com menor dependência de aplicações atreladas ao CDI e maior participação em ativos de risco. — A gente tem que fazer algum tipo de ajuste na economia, independente de quem for o presidente. Tem que acontecer, não há outro caminho —disse Benchimol, em entrevista em São Paulo, no sábado.—Em qualquer lugar do mundo, investir é alongar, é diversificar, é assumir alguns riscos. No Brasil, você ganha dinheiro comprando título isento com liquidez diária com alto retorno em curto prazo. Tem uma inversão de valores, isso não é sustentável. Em algum momento, isso vai dar confusão. Uma melhora nas condições macroeconômicas também traria mais impulso para os planos de expansão da empresa, que busca dobrar sua participação de mercado para 22% e liderar o setor de investimentos do Brasil até 2033. Uma das maiores plataformas de investimentos da América Latina, a XP atende cerca de cinco milhões de clientes, que possuem cerca de R$ 1,5 trilhão em ativos sob custódia. As contas públicas continuam sendo um dos principais desafios da economia brasileira. O país perdeu o grau de investimento em 2015, em grande parte devido ao aumento dos déficits fiscais. Desde então, sucessivos governos têm encontrado dificuldades para recompor as contas do governo e restabelecer a credibilidade da política fiscal. A maior corretora do Brasil compete com os grandes bancos brasileiros e, diante das altas taxas de juros, enfrenta a redução do apetite do brasileiro por tomar algum tipo de risco em seus investimentos, segundo Benchimol: — As pessoas ficam curto-prazistas. Nesses últimos quatro anos foi realmente mais difícil. A taxa Selic, atualmente em 14,25%, segue perto do patamar mais elevado em quase duas décadas. Embora o Banco Central tenha iniciado um ciclo de cortes, o avanço da flexibilização monetária tem sido limitado por um ambiente de forte estímulo fiscal às vésperas das eleições de outubro e pela pressão inflacionária decorrente da alta dos preços de energia em meio ao conflito entre EUA e Irã. Caso Master Sobre o escândalo bancário que abalou o setor financeiro brasileiro e está assombrando os principais candidatos à presidência do país, Benchimol afirmou tratar-se de uma fraude que “enganou a todos” e envolveu diferentes poderes do governo. Para ele, a lição para todo o mercado é aprimorar a governança para evitar que uma crise semelhante volte a acontecer. Antes do colapso do Banco Master, a XP e outras plataformas de investimentos venderam títulos emitidos pelo banco a seus clientes. — Realmente não dá para que uma coisa dessa tão grande não seja pega antes. Porque todo mundo foi enganado — disse. — Contra fraude, ficam aprendizados que vão desde o regulador até o distribuidor. É sobre como que você redobra nível de governança para que você possa evitar que o sistema não possa ser enganado novamente. Planos de expansão Inspirada pelo modelo da gestora americana Charles Schwab, a XP trouxe ao Brasil uma proposta de plataforma aberta de investimentos, com produtos de múltiplas instituições para diversos perfis de clientes. Com valor de mercado de cerca de US$ 9 bilhões na Nasdaq, a companhia hoje abriga uma rede formada por mais de 18 mil assessores de investimentos e cerca de 500 escritórios independentes. A estratégia de liderar o mercado de investimentos do Brasil via crescimento dos ativos sob custódia envolve democratizar serviços de planejamento financeiro tradicionalmente restritos a clientes de alta renda, utilizando inclusive ferramentas de inteligência artificial. O plano de crescimento inclui ainda aprimoramentos no banco e o desenvolvimento de uma conta corrente mais robusta, segundo Benchimol. Nos últimos anos, a XP diversificou seu modelo de negócios, expandindo-se para corporate banking e soluções de crédito. A empresa ampliou ainda a atuação nos segmentos de companhias de pequeno e médio porte. A XP responde por apenas cerca de 1,5% da receita total gerada pelo setor financeiro brasileiro, o que, na avaliação do executivo, revela um espaço para ganhar participação de mercado nos próximos anos. — A gente está só começando — afirmou Benchimol. O lucro líquido ajustado da XP no primeiro trimestre subiu 7%, para R$ 1,32 bilhão. Segundo analistas, os resultados mais recentes indicam que a base de clientes continua crescendo, embora em um ritmo mais moderado. A captação líquida somou R$ 14 bilhões, recuo de 39% frente ao primeiro trimestre do ano passado. Ajuste Benchimol não quis comentar suas expectativas para as eleições, mas afirmou ter convicção de que o Brasil terá suas contas públicas “arrumadas mais cedo ou mais tarde”. — Não tem país que gera déficits públicos consistentemente no tempo. O que acontece com ele? Quebra. Então ele vai ter uma escalada na inflação descontrolada e isso faz com que as pessoas mais pobres percam. Ninguém tem interesse que isso aconteça — afirmou. A necessidade de controle das contas públicas é reconhecida pelos principais candidatos à presidência, mas as propostas para enfrentar o problema ainda carecem de definição, segundo participantes de mercado e especialistas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, tem priorizado medidas de estímulo ao crescimento e à renda, enquanto o senador Flávio Bolsonaro ainda não apresentou seu programa econômico. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, Lula aparece com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro. — Quando você compara com os outros emergentes do mundo, o Brasil tem uma carga tributária bem mais alta que os seus pares comparáveis, tem endividamento muito mais alto também. Também tem uma população mais endividada. Então a gente tem que fazer algum tipo de ajuste na economia, independente de quem for o presidente — acrescentou Benchimol.
‘Não há outro caminho’ além do ajuste fiscal, diz fundador da XP
Para Guilherme Benchimol, um reequilíbrio das contas públicas é pré-condição para atração de mais investimentos ao país e para o desenvolvimento de um mercado com maior participação em ativos de risco











