Bagres, diabos-da-tasmânia, cães e crustáceos são os animais conhecidos, até o momento, por carregarem tipos de câncer que podem ser transmitidos entre indivíduos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bagre — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 11:01 Estudo sobre cânceres transmissíveis em animais e suas implicações Cânceres transmissíveis são raros e ocorrem em espécies como bagres, diabos-da-tasmânia, cães e crustáceos. Nesses casos, células cancerígenas se movem de um hospedeiro a outro, sem a intervenção de vírus ou bactérias. Em humanos, a variação genética e o sistema imunológico impedem essa transmissão. Estudos podem elucidar a evolução dos tumores e sua interação com o sistema imunológico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Cientistas em Vermont acabaram de descobrir algo que não deveria ser possível: um câncer de pele que se espalha de bagre para bagre. É apenas o quarto câncer transmissível já encontrado na natureza. Agora, o bagre se junta ao diabo-da-tasmânia, aos cães e aos crustáceos como os únicos animais conhecidos por carregarem naturalmente tipos de câncer que podem ser transmitidos entre indivíduos. Em cada caso, as células cancerígenas se desprendem de um corpo, viajam para outro e continuam vivendo e se dividindo como células cancerígenas em seu novo hospedeiro. Nenhum vírus, bactéria ou parasita está envolvido — são as próprias células cancerígenas que se espalham, o que as torna tão incomuns. Os diabos-da-tasmânia mordem o rosto uns dos outros durante o acasalamento ou em lutas, permitindo que células tumorais passem diretamente das feridas de um animal para as do outro. Algo semelhante acontece em cães, onde células tumorais venéreas caninas transmissíveis se espalham entre parceiros reprodutivos por meio de danos aos seus genitais. Os moluscos fazem isso de uma maneira diferente, transmitindo células cancerígenas uns aos outros através da água em que vivem. Quando um molusco com câncer morre, ele libera um grande número de células sanguíneas cancerígenas na água. Outros moluscos filtram essa água enquanto se alimentam e podem absorver as células cancerígenas nesse processo. Ainda não se sabe exatamente como a doença se espalha entre os bagres. Os cientistas responsáveis pelo estudo sugeriram que ela pode estar ligada ao comportamento de acasalamento, como ocorre com cães e diabos-da-tasmânia, ou à ingestão de células cancerígenas presentes na água pelos bagres, como acontece com os crustáceos. Por que isso é tão raro? Os cânceres transmissíveis precisam que células cancerígenas vivas se movam de um corpo para outro e se instalem em seu novo hospedeiro — o que parece simples, mas é biologicamente complexo. Consumo excessivo de sal causa problemas além da hipertensão? Especialista explica Um sistema imunológico saudável é uma defesa formidável, constantemente buscando e destruindo tudo o que não é "próprio". Células cancerígenas de outro animal parecem estranhas para o sistema imunológico, mesmo que sejam da mesma espécie, então geralmente são eliminadas rapidamente. É o mesmo princípio por trás dos transplantes de órgãos: um órgão doado pode ser rejeitado pelo sistema imunológico do receptor, e é por isso que pacientes transplantados recebem medicamentos imunossupressores. A genética adiciona mais uma camada de dificuldade. A maioria dos animais — incluindo os humanos — apresenta uma enorme variação genética, mesmo dentro da própria espécie, de modo que as células cancerígenas de um indivíduo geralmente são muito diferentes para sobreviverem em outro organismo da mesma espécie. Os diabos-da-tasmânia são uma rara exceção: sua diversidade genética é excepcionalmente baixa, o que explica, em parte, por que sua doença tumoral se espalha com tanta facilidade. Além disso, há a extrema fragilidade das células. Imagine uma bolha de sabão equilibrada na ponta de um alfinete — o menor toque, mudança de temperatura ou contato com o ar ou a luz solar, e ela desaparece. As células são muito parecidas. Mesmo quando as células cancerígenas escapam de um corpo, geralmente morrem antes de atingir um novo. É por isso que os cânceres transmissíveis tendem a precisar de uma via direta entre hospedeiros: injeção de células em diabos-da-tasmânia, contato próximo entre membranas em cães ou um meio de sobrevivência como a água do mar em moluscos. A boa notícia é que não há evidências de um câncer que ocorra naturalmente e se espalhe de forma independente em humanos. Um câncer verdadeiramente transmissível é aquele em que as células cancerígenas se desprendem de seu hospedeiro original, tornam-se uma linhagem independente, se espalham entre pessoas e, em seguida, persistem e evoluem como um clone autossustentável. Existem casos raros em humanos que podem parecer semelhantes, mas não são – como células cancerígenas presentes em um órgão transplantado, câncer transmitido da mãe para o bebê antes do nascimento, um funcionário de laboratório infectado acidentalmente por uma agulha ou cânceres causados por vírus como o papilomavírus humano (HPV). Essas são transmissões únicas, não um câncer com vida própria e independente. O estudo de cânceres transmissíveis em outros animais ainda tem muito a nos ensinar sobre o câncer humano, incluindo como os tumores evoluem, escapam do sistema imunológico e se espalham. É uma janela para a biologia do câncer que os tumores humanos sozinhos não podem oferecer. *Lewis C. E. Mason é professor de Microbiologia na Universidade de Kingston.
Câncer transmissível: alguns animais podem contrair o câncer de outros; entenda por que isso não ocorre com os humanos
Bagres, diabos-da-tasmânia, cães e crustáceos são os animais conhecidos, até o momento, por carregarem tipos de câncer que podem ser transmitidos entre indivíduos













