Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque de alguns milhares de minas navais Navios de carga no Golfo Pérsico , perto do Estreito de Ormuz, vistos do norte de Ras al-Khaimah, próximo à fronteira com a região administrativa de Musandam, em Omã — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo O Irã afirmou na semana passada que um petroleiro pegou fogo após uma explosão enquanto tentava atravessar o que descreveu como uma rota minada ao sul do Estreito de Ormuz. Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque de alguns milhares de minas navais, que são explosivos posicionados no mar para atingir embarcações. Por serem pequenas e de difícil visualização, mesmo quando estão na superfície, minas navais são muito complexas de serem detectadas e desarmadas. Com uma tecnologia simples e barata, dessa forma elas acabam sendo uma arma bastante eficiente. Existem diversos tipos de minas, sendo que algumas explodem ao contato com o casco da embarcação, outras podem ser programadas à distância e outras detectam vibrações acústicas, magnéticas ou de pressão de um navio que está passando próximo. O Irã continua a aumentar a sua ameaça à guerra com minas no Golfo Pérsico, tanto em termos de estoques de minas como de capacidades de colocação desses artefatos. Segundo fontes internacionais, o país possui uma série de minas de contato e minas ancoradas de fabricação própria ou oriundas da União Soviética. Também mantém um arsenal de minas de fundeio e de ascensão, mais novas e mais avançadas, adquiridas dos russos, chineses e norte-coreanos. Relatos sugerem ainda que o Irã comprou da China a mina de foguete EM-52. O uso de minas navais é regulamentado pela Convenção de Haia de 1907. O tratado proíbe, por exemplo, a instalação de minas de forma a bloquear portos de uso civil e determina que, após o fim de um conflito, as minas instaladas devem ser retiradas. A instalação de minas navais mais simples é fácil e, no limite, pode ser feita até por barcos de pesca pequenos. Já a remoção é bastante complicada. Elas usam explosivos básicos e não emitem nenhum tipo de sinal, o que torna a detecção muito complexa. Navios de varredura normalmente têm o caso de madeira, para evitar a explosão por contato, e vão navegando por uma área com um instrumento sumerso que se assemelha a uma tesoura gigante, cortando as correntes de minas de fundeio e permitindo assim que elas subam à superfície para serem desarmadas. Esses navios são usados para estabelecer um canal seguro - às vezes delimitado por boias - por onde outras embarcações podem passar. Também existem navios caça- minas, usados em regiões onde já há suspeita de artefatos instalados e que utilizam sonares, ecobatímetros e outros instrumentos acústicos para localizar os artefatos. Ainda assim, especialistas apontam que é como procurar uma agulha no palheiro. Por isso, mesmo as marinhas mais poderosas do mundo, como a dos Estados Unidos, levariam meses para conseguir limpar o Estreito de Ormuz. — Foto: Arte Valor No caso do Brasil, a Marinha possui o Comando da Força de Minagem e Varredura (ComForMinVar), localizado na Base Naval de Aratu, em Salvador (BA), e subordinado ao Comando do 2º Distrito Naval. A unidade, criada em 1961, conta com quase 200 militares, três navios de varredura e incorporou em março o navio caça-minas "Amorim do Valle". Ele era um embarcação hidroceanográfica inglesa e passou por um processo de conversão iniciado em setembro do ano passado. Quando o novo navio foi incorporado, o comandante de Operações Navais, almirante de esquadra Eduardo Machado Vazquez, disse na cerimônia que conflitos recentes - incluindo no Mar Negro, na guerra entre Rússia e Ucrânia - demonstraram a atualidade da guerra de minas. "Este navio traz uma capacidade a mais, associada à pesquisa e à tecnologia, permitindo avanços importantes para a nossa defesa", comentou na ocasião. O comandante da ComForMinVar, capitão de fragata Rodrigo Ramos, explica que a Marinha realiza intercâmbio com outros países e promove exercícios e simulações rotineiramente. A próxima edição desses exercícios, batizados de Aramuss, será realizada em novembro e terá como grande destaque os veículos não tripulados, como drones aéreos, marítimos e subaquáticos. “O lema da estratégia de desminagem é: ‘varrer quando necessário, caçar quando possível’. A grande novidade nos últimos anos é o uso de veículos não tripulados. A Marinha do Brasil tem diversos projetos em desenvolvimento nessa área, alguns já bem maduros, mas eles ainda não foram incorporados à nossa frota. Eles obviamente diminuem o risco de perda de vidas, mas não quer dizer que seja fácil localizar uma mina. Ela é uma arma passiva, silenciosa”, explica. Um dos projetos em desenvolvimento é o Veículo de Superfície Não Tripulado para Contramedidas de Minagem (VSNT-CMM), que terá capacidades técnicas avançadas, podendo ser configurado com diferentes sensores, como sonar de varredura lateral, câmeras de vigilância no espectro infravermelho, giro satelital, entre outros. A iniciativa é realizada em colaboração com a DGS Defense, responsável pelo projeto e produção dos cascos. A Marinha é responsável pela definição dos requisitos operacionais, desenvolvimento do sistema digital de comando e controle e pela integração dos sensores. O VSNT-CMN também poderá ser integrado ao Veículo Submarino Autônomo, operado pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado aliados europeus a ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz. O Brasil, no entanto, não chegou a ser convidado para essa operação. Pela distância e como ainda não possui tecnologia de ponta, a percepção é que esse tipo de participação não faria muito sentido. Em termos de capacidade de instalar minas, a Marinha brasileira possui alguns tipos de artefatos e também faz treinamentos frequentes para estar preparada para eventual utilização. “Todo ano realizamos o exercício Minex, lançamos minas, testamos veículos não tripulados”, conta o comandante Ramos. Em conflitos reais, no entanto, o Brasil nunca precisou utilizar minas navais.
Como funcionam as minas navais, que ameaçam navios petroleiros no Estreio de Ormuz
Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque de alguns milhares de minas navais








