0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Genebra, onde fica a sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), fica na sétima posição AFP — Foto: AFP/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 09:46 Brasil Defende Multilateralismo na OMC Contra Tarifas dos EUA Apesar do enfraquecimento da OMC devido ao bloqueio dos EUA ao Órgão de Apelação, recorrer à instituição ainda é importante para o Brasil. A defesa do multilateralismo é crucial para enfrentar tarifas unilaterais dos EUA, que afetam produtos brasileiros injustamente. Mesmo que os processos sejam longos, manter a OMC ativa ajuda a preservar regras do comércio internacional e reforça a posição brasileira. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Organização Mundial do Comércio (OMC) é a instituição responsável por mediar as controvérsias comerciais entre os países. Ela é a sucessora do antigo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), criado no pós-guerra justamente para estabelecer regras para o comércio miltilateral e oferecer mecanismos de solução de controvérsias. A OMC deveria exercer esse papel com mais força. Mas o uso do futuro do pretérito é inevitável. Hoje, a instituição está enfraquecida, em grande medida porque os Estados Unidos bloquearam a indicação de novos integrantes para o Órgão de Apelação, instância máxima de julgamento das disputas comerciais. Sem quórum, o órgão deixou de funcionar plenamente, comprometendo a capacidade da OMC de concluir seus processos. O Brasil, no entanto, é um defensor histórico do multilateralismo. Por isso, não pode agir como se a OMC tivesse deixado de existir apenas porque os Estados Unidos optaram por enfraquecê-la. Fazer isso significaria endossar a estratégia de quem pretende desmontar uma instituição que, desde o pós-Segunda Guerra Mundial, tem sido fundamental para regular o comércio internacional e resolver contenciosos entre os países. Nos últimos anos, os Estados Unidos vêm adotando uma postura cada vez mais unilateralista e demonstrando pouco interesse em fortalecer organismos multilaterais. Durante o governo Donald Trump, essa estratégia também atingiu outras instituições, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que desempenhou papel central durante a pandemia de Covid-19. Essa é uma característica da política externa de Trump. A do Brasil, por sua vez, continua baseada na defesa do sistema multilateral. É verdade que uma disputa na OMC pode levar anos até uma decisão definitiva. Ainda assim, recorrer ao organismo preserva as regras do comércio internacional e reforça a posição brasileira. No caso atual, há argumentos sólidos a favor do Brasil. O país foi acusado de práticas que não condizem com sua relação comercial com os Estados Unidos. A justificativa inicial da política tarifária americana era reduzir déficits comerciais dos EUA com determinados parceiros. Esse não é o caso do Brasil, com o qual os americanos mantêm superávit comercial. Paraguai e Argentina podem ser entrave para aceleração de acordo entre Mercosul e China, diz especialista em economia chinesa Além disso, a nova tarifa de 25% deixou evidente o componente político da decisão. A ela somam-se outros 12,5% aplicados sobre produtos considerados fabricados com uso de trabalho forçado, medida que atinge 59 países e também a União Europeia. Na prática, o Brasil passou a enfrentar diferentes camadas de sobretaxação, resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) considerada sem fundamento pelo governo brasileiro. Em alguns casos, a carga tarifária chega a 50%. Recorrer à OMC, porém, não significa abandonar outras frentes de negociação nem deixar de adotar medidas de apoio aos setores afetados. A grande questão passa a ser o custo dessa estratégia e por quanto tempo será necessário sustentar políticas de compensação, já que não há sinais de uma reversão rápida das tarifas. Desde o primeiro anúncio do tarifaço americano, no ano passado, o governo brasileiro vem adotando medidas para mitigar seus impactos, entre elas a busca por novos mercados para as exportações nacionais. A diferença é que a primeira rodada de tarifas acabou sendo derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos por falta de sustentação legal. Agora, o cenário é diferente. Trump recriou as tarifas utilizando os mecanismos previstos na Seção 301 da legislação comercial americana, conferindo-lhes uma base jurídica mais consistente. É possível questionar a condução e as conclusões da investigação, mas, do ponto de vista formal, o procedimento seguiu os instrumentos previstos na legislação dos Estados Unidos. Na prática, isso torna muito mais difícil prever quando — e até mesmo se — esse tarifaço será revertido.
Por que recorrer à OMC continua fazendo sentido para o Brasil
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