Em recente conversa com representantes do mercado financeiro, o coordenador de campanha do PT defendeu o controle de capitais como forma de reduzir a volatilidade cambial e contribuir para o combate à inflação, além da elevação do salário mínimo como instrumento para estimular a saída de beneficiários do Bolsa Família.
Independentemente do espaço que venham a ocupar no programa de governo, essas propostas revelam um raciocínio que merece atenção. As preocupações —controlar a inflação e promover a mobilidade social— são legítimas. O problema é que as propostas pouco dialogam com os fatores que estão na origem desses desafios.
A ideia de recorrer ao controle de capitais para reduzir a volatilidade cambial não é nova. Mas a experiência brasileira não indica que ela seja eficaz para esse fim. Estudos sobre as medidas adotadas nas décadas de 1980 e 1990 mostram efeitos, na melhor das hipóteses, temporários sobre o volume e a composição dos fluxos, sem impacto duradouro. A experiência de 2009 a 2013, marcada por sucessivas alterações no IOF e outras restrições à entrada de capitais, aponta na mesma direção: houve alguma segmentação entre os mercados doméstico e internacional, mas pouco efeito sobre o câmbio. As medidas adotadas até meados de 2011 não produziram mudanças significativas, e o efeito observado em 2013 coincidiu com uma alteração da política monetária.










