PUBLICIDADE Divulgação dos resultados faz parte do processo de listagem da empresa na Bolsa de Hong Kong. Varejista teve prejuízo de US$ 99 milhões no 1º trimestre deste ano. Em igual período do ano passado, houve lucro, de US$ 395 milhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Centro de distribuição da Shein em Indiana, nos EUA: uma recente desaceleração no crescimento da varejista pode pesar sobre sua oferta pública inicial (IPO) — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 14:31 Shein Enfrenta Prejuízo de US$ 99 Mi e Desafios Antes do IPO A Shein, gigante do fast fashion, revelou seus resultados financeiros antes do IPO em Hong Kong, mostrando uma queda significativa na lucratividade. No 1º trimestre de 2026, a empresa teve um prejuízo de US$ 99 milhões, em contraste com o lucro de US$ 395 milhões no ano anterior. A receita cresceu apenas 1,1%. A Shein enfrenta desafios como tarifas mais altas nos EUA e UE, concorrência acirrada e crescimento desacelerado, o que impacta sua avaliação para o IPO. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A varejista de moda rápida Shein revelou desaceleração na lucratividade e no crescimento da receita na primeira divulgação detalhada de seus resultados financeiros antes da planejada abertura de capital em Hong Kong, aumentando a pressão sobre a avaliação que poderá alcançar em uma das maiores ofertas públicas iniciais (IPOs) do ano. A empresa, de capital fechado, registrou prejuízo de US$ 99 milhões (R$ 504 milhões) no primeiro trimestre de 2026, ante lucro de US$ 395 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) no mesmo período do ano anterior, enquanto a receita avançou apenas 1,1%, para US$ 9,05 bilhões (R$ 46 bilhões). O lucro operacional caiu 26%, embora a Shein tenha informado que o prejuízo trimestral foi provocado, em grande parte, por um impacto de US$ 328 milhões (R$ 1,7 bilhão) relacionado ao ajuste a valor justo de ações preferenciais conversíveis e resgatáveis, segundo documento apresentado à Bolsa de Valores de Hong Kong. No acumulado de 2025, a empresa registrou lucro de US$ 2,06 bilhões (R$ 10,5 bilhões), abaixo dos US$ 3,37 bilhões (R$ 17,1 bilhões) obtidos em 2024. Os resultados mais fracos tendem a reforçar as preocupações dos investidores sobre a sustentabilidade do rápido crescimento da Shein, o que pode reduzir a avaliação que a empresa conseguirá obter em seu aguardado IPO. A companhia pretende estrear na bolsa já em agosto e levantar entre US$ 2 bilhões (R$ 10,1 bilhões) e US$ 3 bilhões (R$ 15,2 bilhões), informou anteriormente a Bloomberg. O valor final dependerá da avaliação dos investidores e da demanda pela oferta. — A ausência de uma perspectiva sólida de crescimento dos fundamentos da empresa inevitavelmente pressionará as avaliações — afirmou Catherine Lim, analista sênior de consumo da Bloomberg Intelligence. A Bloomberg informou em fevereiro que investidores defendiam uma avaliação em torno de US$ 30 bilhões (R$ 153 bilhões), abaixo dos US$ 66 bilhões (R$ 336 bilhões) atribuídos à empresa em uma rodada de captação realizada em 2023 — e bem inferior ao pico de US$ 100 bilhões (R$ 509 bilhões) alcançado em 2022. A divulgação dos resultados da Shein faz parte do processo de listagem da empresa na Bolsa de Hong Kong, para o qual ela obteve aprovação após anos de atrasos e tentativas frustradas de realizar uma oferta pública inicial (IPO) em Nova York e Londres. Nos últimos anos, a Shein vinha fornecendo aos investidores apenas projeções gerais sobre lucro e vendas, oferecendo pouca visibilidade sobre seu desempenho operacional. Roupas à venda em uma loja do Shein — Foto: Benjamin Girette/Bloomberg Entre os principais investidores da Shein estão a IDG Capital, a Mubadala Investment, a Tiger Global Management e a HSG. Para 2025, a empresa havia informado aos investidores que esperava um crescimento das vendas na faixa de dois dígitos médios (entre cerca de 10% e 20%), informou anteriormente a Bloomberg. No entanto, o documento apresentado mostrou que a receita líquida cresceu 8%, abaixo dessa meta e também inferior ao avanço de 21% registrado em 2024. Tarifas e concorrência Fundada originalmente na China continental e atualmente sediada em Cingapura, a Shein construiu um império global de moda rápida (fast fashion) ao oferecer roupas de baixo custo, alinhadas às tendências e enviadas diretamente pelos fornecedores aos consumidores. No entanto, as tarifas impostas pelos Estados Unidos, seguidas pela guerra no Oriente Médio, elevaram os custos dos insumos e acabaram resultando em preços mais altos para os consumidores. O crescimento do tráfego global nos sites da Shein desacelerou de mais de 60% na comparação anual no segundo semestre de 2025 para cerca de 30% no início deste ano, antes de perder ainda mais força e cair para um crescimento de apenas um dígito em junho e julho, segundo dados da Similarweb. Os downloads do aplicativo da empresa em todo o mundo também recuaram durante a maior parte dos 12 meses encerrados em meados de julho, chegando a registrar queda de até 30% na comparação anual em seu pior momento, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Apptopia. As vendas da Shein nos Estados Unidos caíram durante a maior parte dos 12 meses encerrados na semana de 19 de julho, segundo dados compilados pela Bloomberg Second Measure, que analisa transações realizadas com cartões de crédito e débito no país. Em junho, as vendas recuaram 13% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e a queda se intensificou ainda mais em julho. A Shein afirmou que a decisão do presidente Donald Trump de eliminar a chamada isenção de minimis — que dispensava da cobrança de tarifas de importação encomendas de até US$ 800 — teve impacto negativo sobre suas vendas nos EUA e sobre o crescimento da receita líquida global. A empresa acrescentou, contudo, que desde então observou uma normalização da tendência de vendas no mercado americano. A varejista também informou que o fim da isenção de tarifas alfandegárias para mercadorias de até € 150 (US$ 170) na União Europeia poderá ter um impacto relevante sobre seus negócios. Isso porque cerca de um terço da receita da Shein veio da Europa em 2025 e no primeiro trimestre de 2026. Segundo a empresa, o efeito da medida europeia pode ser igual ou até maior do que o provocado pelo fim da isenção de minimis nos Estados Unidos. A Shein também enfrenta uma concorrência cada vez mais acirrada da Temu, plataforma da PDD Holdings, em mercados estratégicos, como Estados Unidos e Europa, ao mesmo tempo em que reguladores intensificam o escrutínio sobre suas operações. Daqui para frente, “a fiscalização sobre a conformidade das plataformas na União Europeia está aumentando, e isso pode resultar em mudanças regulatórias que limitem o crescimento da Shein”, afirmou Catherine Lim, analista da Bloomberg Intelligence. —As estratégias para contornar as tarifas podem apenas amenizar parcialmente a pressão enfrentada por plataformas de baixo custo originárias da China, à medida que os reguladores fecham brechas que vinham sendo exploradas há anos.
Quanto lucra a Shein? Empresa revela dados às vésperas do IPO
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