Com início da fase prática da Reforma Tributária em 2027, especialistas alertam que regularização fiscal, governança e rastreabilidade das comissões serão diferenciais competitivos para corretoras de planos de saúde Divulgação — Foto: Divulgação A Reforma Tributária está redesenhando a forma como empresas de diversos setores organizam suas operações, e o mercado de corretagem de planos de saúde está entre os segmentos que precisarão se adaptar rapidamente às novas exigências fiscais. Embora 2026 seja considerado um período de transição e testes, especialistas destacam que as mudanças previstas para entrar em vigor a partir de 2027 exigem que corretoras deixem de atuar apenas como operações comerciais e passem a adotar uma gestão empresarial estruturada, com foco em compliance, organização financeira e sustentabilidade do negócio. A nova legislação amplia a digitalização e a rastreabilidade das operações fiscais. As Notas Fiscais de Serviço Eletrônicas (NFS-e), por exemplo, já passaram a contar com campos destinados aos novos tributos, como o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o Imposto Seletivo, permitindo que empresas iniciem desde já sua adaptação aos novos processos. Além disso, a tendência é de que toda comissão paga aos corretores esteja vinculada a um documento fiscal eletrônico, aumentando significativamente a capacidade de cruzamento de informações pelos órgãos fiscais. Na prática, operações informais, repasses sem documentação adequada e inconsistências entre recebimentos e declarações tendem a ser identificados com maior facilidade. Segundo Dyla de Toledo, CEO da YIA, primeira caretech de seguros referência em soluções de seguros e benefícios. esse novo cenário marca uma mudança de mentalidade para os profissionais do setor. "O corretor sempre foi reconhecido pela sua capacidade de vender, mas, diante da Reforma Tributária, será cada vez mais importante desenvolver uma visão empresarial. Hoje ele também é gestor, administrador e responsável pela saúde financeira do próprio negócio. Quem investir em organização, regularização e governança terá muito mais segurança para crescer nos próximos anos", afirma. Com mais de 21 anos de experiência nas áreas financeira, tributária e jurídica, Dyla explica que a nova estrutura tributária incentiva um mercado mais transparente, reduzindo riscos fiscais e fortalecendo empresas que operam dentro das normas. Outro ponto relevante envolve o funcionamento da retenção dos tributos na fonte. Em muitos modelos operacionais, a operadora realiza a retenção dos impostos antes do pagamento da comissão, e o valor chega ao corretor já regularizado. No entanto, isso não elimina a obrigação de declarar corretamente os recebimentos. "O sistema fiscal passa a conversar de forma muito mais integrada. Existe a emissão da nota, a retenção dos tributos e o registro eletrônico do pagamento. Se o profissional deixa de declarar aquilo que efetivamente recebeu, as informações podem ser cruzadas automaticamente pelo Fisco, aumentando significativamente o risco de autuações", explica a executiva.
Reforma Tributária acelera profissionalização do mercado de corretagem de planos de saúde e impulsiona modelo de multi notas
Com início da fase prática da Reforma Tributária em 2027, especialistas alertam que regularização fiscal, governança e rastreabilidade das comissões serão diferenciais competitivos para corretoras de planos de saúde






