No que diz respeito à atribuição de culpas, 35% consideram Lula responsável pela punição, enquanto 28% apontam para Trump — Foto: Mark Schiefelbein/AP Photo Mais da metade do eleitorado brasileiro acredita que o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil visa auxiliar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. De acordo com pesquisa Datafolha divulgada hoje pela Folha de S. Paulo, para 52%, a medida tem esse fim, enquanto 37% descartam a tese e 11% dizem não saber. Entre os eleitores do senador fluminense, 29% creem na hipótese de favorecimento americano, número que vai a 73% entre os que declaram voto no presidente Lula (PT). No geral, 63% dos entrevistados estão familiarizados com o tarifaço, com 25% se dizendo bem informados e 34%, razoavelmente. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos nos dias 22 e 23. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01166/2026. Nessa pesquisa Lula lidera o cenário de primeiro turno sobre Flávio por 40% a 32% e, na segunda rodada, por 48% a 43%. Segundo a reportagem da Folha, o resultado atesta o impacto do relacionamento da família Bolsonaro com o governo americano, que já foi declarado ídolo do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A reportagem lembra que a primeira edição da medida foi trabalhada pelo irmão de Flávio refugiado nos Estados Unidos, o deputado cassado Eduardo (PL-SP). “Naquela ocasião, Trump citou a iminente prisão de Bolsonaro na justificativa para sobretaxa de 50% a produtos importados do Brasil, além de determinar sanções a figuras do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF)”, cita a reportagem. Na ocasião, o presidente Lula (PT) aproveitou a agressão para lançar uma campanha de soberania nacional que lhe rendeu melhoria na avaliação do governo e, ao mesmo tempo, aproximou-se de Trump. Com isso, a medida comercial e as punições acabaram desfeitas. Neste novo tarifaço, anunciado em 15 de julho, os EUA aplicaram sobretaxa de 25%, com uma lista grande de exceções, devido a uma investigação sobre o que chamam de práticas comerciais desleais do Brasil. “Flávio buscou se desvincular do atual tarifaço, temendo impacto político que Lula já tenta explorar”. Na atual pesquisa, além de metade do eleitorado acreditar que Trump favorece Flávio, 34% dizem que Lula está certo quando diz que a culpa é do rival. Já 26% afirmam que o senador fluminense é que acerta ao afirmar que o governo brasileiro falhou. Outros 24% dizem que ninguém está certo, enquanto 11% dizem que ambos estão. E 6% não souberam responder. No que diz respeito à atribuição de culpas, 35% consideram Lula responsável pela punição, enquanto 28% apontam para Trump. Os irmãos Bolsonaro somam 23%, 13% para Flávio e 10% para Eduardo. Não souberam responder 10%. Em relação à retaliação, a maioria - 74% - não quer que o Brasil retalie contra os EUA, e sim negocie uma solução para a crise. Outros 17% acreditam que o melhor para o Planalto é retaliar item por item e 2% dizem que o país deve aceitar o tarifaço.