Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que a maioria dos brasileiros (47%) concorda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acusa o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, de ter atuado por um novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Outros 35% têm opinião contrária: acreditam em Flávio, que diz ter pedido ao presidente americano Donald Trump para não impor novas tarifas. Não souberam ou não responderam somam 18%. Leia mais: Os que acreditam em Lula são maioria entre os eleitores do petista (91%), eleitores de esquerda não lulista (86%) e os que se declaram independentes (41%). Já os que acreditam em Flávio são maioria entre eleitores de direita não bolsonaristas (73%) e bolsonaristas (89%). A ameaça de novo tarifaço foi feita exatamente uma semana depois do encontro de Flávio com o presidente americano na Casa Branca. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos anunciou ter concluído uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas injustas e propôs aplicar uma tarifa punitiva de 25%. No dia seguinte, um novo revés. Outra investigação diz que 60 países - dentre eles, o Brasil - falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. E, por causa disso, preveem aplicar tarifas adicionais de 12,5%. Lula e seus aliados entoam discurso em defesa da soberania nacional e tentam colar a imagem de Flávio nesse novo tarifaço. Parlamentares e lideranças da centro-esquerda conseguiram emplacar os termos "Tariflávio" e “inimigo do Brasil" entre os mais citados nas redes sociais. Há também, entre governistas, uma forte defesa do Pix. Ao anunciar a possibilidade de novo tarifaço, o governo Trump criticou o Pix e acusou o Banco Central do Brasil de favorecer o sistema de pagamento instantâneo em detrimento de empresas americanas do setor. Flávio, por outro lado, tenta se dissociar do tarifaço americano. Ele acusou Lula de fazer "terrorismo", disse que o Pix não está ameaçado e defendeu o sistema de pagamento brasileiro. Flávio também afirmou que, na reunião com Trump, pediu expressamente para que as empresas brasileiras não fossem taxadas. Depois, em aceno a empresários, disse ter enviado carta ao chefe do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo para que os americanos não imponham as novas tarifas. A Quaest entrevistou 2.004 eleitores acima de 16 anos em todo país entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa está sob o registro BR-07661/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tem nível de confiança de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais. Pix Segundo a pesquisa desta quarta-feira, 46% acham que Lula está certo ao afirmar que o novo tarifaço é uma retaliação ao Pix. Outros 36%, no entanto, concordam com Flávio, que diz que as novas tarifas são uma retaliação dos EUA às declarações de Lula; 10% não concordam com nenhum dos dois, e 8% não souberam ou não responderam. Novamente, os que concordam com Lula são maioria entre os seus próprios eleitores (92%) e também entre eleitores de esquerda não lulista (85%) e os que se declaram independentes (39%). Os que dizem concordar mais com Flávio são maioria entre eleitores de direita não bolsonaristas (75%) e bolsonaristas (87%). Questionados se o novo tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula ou Flávio, 39% responderam que deu mais vontade de escolher Lula nas eleições de outubro, enquanto 30% responderam que ficaram com mais vontade de votar em Flávio. Outros 23% responderam nem um, nem outro, e 8% não souberam ou não responderam. Patriotismo Os entrevistados também foram questionados sobre quem melhor representa o discurso do patriotismo e defesa dos interesses do Brasil. Para 47%, é Lula, enquanto 37% responderam Flávio Bolsonaro. Outros 10% disseram nenhum dos dois, e 6% não souberam ou não responderam. Lula foi melhor entre os seus próprios eleitores e também os de esquerda não lulista e os que se declaram independentes. Flávio, por sua vez, foi bem entre eleitores de direita não bolsonarista e os bolsonaristas. A maioria dos entrevistados (51%), no entanto, afirmou que não sabia sobre as novas tarifas dos EUA contra o Brasil, enquanto 48% tinham conhecimento, e 1% não soube ou não respondeu. Quando questionados se essas novas tarifas vão prejudicar as suas vidas, 55% responderam que sim. Em setembro, quando essa pergunta havia sido feita pela última vez, 74% tinham respondido que as tarifas iriam prejudicá-los. Naquela ocasião discutia-se o primeiro tarifaço imposto pelo governo americano. A pesquisa divulgada hoje mostra que 37% acham que as novas tarifas não vão prejudicar as suas vidas, enquanto 8% não souberam ou não responderam. A maioria (49%) também acredita que o presidente dos EUA, Donald Trump, vai voltar atrás nas novas tarifas, enquanto 35% acham que não. Outros 16% não sabem ou não responderam. O governo dos Estados Unidos ainda não está aplicando as novas tarifas. Ele estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas. O prazo limite para a definição e aplicação das medidas contra o Brasil foi fixado em 15 de julho.
Genial/Quaest: 47% acham que Flávio influenciou novo tarifaço dos EUA
Pesquisa também aponta que 46% acreditam que Lula está certo ao afirmar que tarifas são retaliação ao Pix













