As bolsas da Ásia fecharam em alta nesta segunda-feira, à medida que uma pausa nos combates no Golfo pressionou os preços do petróleo para baixo, aliviando os riscos de inflação e impulsionando os títulos de renda fixa antes de uma semana repleta de reuniões de bancos centrais e divulgação de balanços corporativos. O índice Nikkei 225 do Japão fechou em alta de 0,50%, a 64.931,19 pontos e o índice Kospi da Coreia do Sul subiu 0,97%, a 6.755,75 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,98%, a 25.207,18 pontos e, na China continental, o índice Xangai Composto teve alta de 1,15% a 3.858,24 pontos. O Irã afirmou no domingo que suspenderia seus ataques caso os Estados Unidos fizessem o mesmo, em meio a relatos de que as forças armadas dos Estados Unidos estariam preocupadas com a escassez de munição. No entanto, os Houthis do Iêmen — aliados do Irã — ainda atacaram instalações petrolíferas sauditas ao longo da costa do Mar Vermelho, ameaçando outra via navegável vital para o comércio global de petróleo. “No geral, parece que os acontecimentos no Oriente Médio caminharam em uma direção positiva durante o fim de semana, conferindo certa credibilidade à ideia de que o petróleo acima de US$ 100 o barril tende a induzir uma postura de desescalada em ambos os lados”, disse Sally Auld, economista-chefe do grupo NAB. A trégua nos combates na região do Estreito de Ormuz fez o petróleo Brent recuar mais de 8%, para US$ 88 o barril, enquanto o petróleo WTI caiu 7%, para US$ 82. A queda nos preços do petróleo trouxe algum alívio em relação aos temores inflacionários e levou os mercados a reduzirem ligeiramente a probabilidade de aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed). O banco central se reúne na quarta-feira, e os mercados estimam uma chance de cerca de um em três para um aumento dos juros, embora a maioria dos analistas duvide que o presidente Kevin Warsh apoiaria tal medida. “Os investidores consideram o resultado da reunião de julho incomumente incerto, provavelmente porque o Fed tem estado dividido recentemente, a posição do próprio Warsh permanece pouco clara e parte da nova escalada de tensão com o Irã ocorreu durante o período de silêncio antes da reunião”, observaram analistas do Goldman Sachs. “É provável que haja pelo menos um voto dissidente a favor de um aumento, mas parece pouco provável que a maioria dos membros com direito a voto defenda tal medida nesta semana, após os dados de inflação mais brandos de junho.” O Banco da Inglaterra realiza sua reunião na quinta-feira e o Banco do Japão, na sexta-feira; espera-se que ambos mantenham as taxas inalteradas, mantendo a cautela quanto aos riscos inflacionários futuros. As ações reagiram positivamente à queda do petróleo e dos rendimentos dos títulos, impulsionando os contratos futuros do S&P 500 em 1%, enquanto os futuros da Nasdaq saltaram 1,6%. Por fom, os balanços de empresas de tecnologia testarão o otimismo do mercado. O índice Nikkei, do Japão, avançou 0,5%, ao passo que o índice da Coreia do Sul, fortemente concentrado no setor de chips, avançou quase 1%. As “blue chips” chinesas também ganharam, com a fabricante de chips CXMT Corp disparando 500% em sua estreia na bolsa de Xangai, após captar 8,6 bilhões na maior oferta pública inicial de ações (IPO) da Ásia neste ano. Cerca de um terço das empresas do S&P 500 divulgarão seus resultados nesta semana; os lucros caminham para registrar um aumento de 26,5% em relação ao ano passado, segundo dados da LSEG IBES. Com expectativas tão elevadas e uma crescente inquietação quanto aos enormes custos de investimento (capex) para IA, mesmo resultados excepcionais podem não ser suficientes para agradar aos investidores no dia da divulgação. A magnitude dos valores envolvidos foi destacada por uma reportagem do Wall Street Journal informando que a Nvidia negociava fornecer um suporte financeiro de cerca de 250 bilhões à OpenAI, como parte de um projeto de centro de dados. Entre as empresas que divulgarão resultados estão gigantes do setor de tecnologia como Microsoft, Meta Platforms, Amazon, Apple e Qualcomm, além de diversas companhias dos setores industrial, de defesa e de saúde. — Foto: Lee Jin-man/AP