O verão de 2026 já começou nos EUA e, sob o sol escaldante da temporada, Satya Nadella, CEO da Microsoft — empresa que distribui o programa de IA ‘Copilot’ e que detém participações na OpenAI e na Anthropic, além de faturar bilhões com infraestrutura de nuvem — publicou um ensaio em seu perfil no X que poderia estar afixado na porta de toda sala de reuniões do Brasil.

“Na era da IA, o comprador arrisca dar de graça o conhecimento, só para usar aquilo que comprou“, escreveu o executivo.

O alerta é simples e brutal: as empresas estão pagando duas vezes pela inteligência artificial. Uma vez com dinheiro, pelas assinaturas. Outra com o próprio conhecimento institucional que as diferencia da concorrência.

Nadella cunhou o termo “paradoxo reverso da informação”, uma inversão do clássico paradoxo do economista Nobel Kenneth Arrow, que observou que quem vende informação corre o risco de entregá-la ao tentar vendê-la, pois o comprador só conhece o valor depois de recebê-la — e aí já a tem de graça.

Parece uma afirmação confusa, mas Nadella não somente a entendeu como inverteu sua lógica: agora, quem arrisca entregar o conhecimento não é o vendedor, é o comprador. “Quanto melhor você quer que o modelo funcione, mais desse conhecimento você tem de revelar“, afirmou. “Você paga pela inteligência duas vezes: uma com dinheiro e outra com algo ainda mais valioso, o conhecimento proprietário que precisa revelar para tornar essa inteligência útil“.