Guterres é o primeiro secretário-geral da ONU a visitar a Síria desde seu antecessor, Ban Ki-moon, em 2009 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e o Ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, após a reunião realizada no Palácio Tishreen, em Damasco, no sábado — Foto: Louai Beshara/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/07/2026 - 20:05 Guterres pede fim das sanções à Síria para facilitar reconstrução O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a remoção das sanções contra a Síria após uma visita ao país, destacando a necessidade de apoio internacional para a reconstrução econômica e infraestrutura pós-guerra. Guterres reuniu-se com novas lideranças sírias e enfatizou o apoio da ONU ao povo sírio neste momento crucial. Apesar do afrouxamento de algumas sanções, investidores permanecem cautelosos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou neste domingo pela retirada de todas as sanções impostas à Síria durante o governo do ex-ditador Bashar al-Assad, ao encerrar uma visita de dois dias ao país, em que se reuniu com a liderança do novo governo sírio. As novas autoridades do país, que assumiram o poder em dezembro de 2024, buscam abrir um novo capítulo após mais de 13 anos de guerra, retomando a economia e reconstruindo a infraestrutura e as instituições. Países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, anunciaram o afrouxamento das sanções contra a Síria, mas os investidores continuam cautelosos. O Banco Mundial estima que a reconstrução do país no pós-guerra poderá custar US$ 216 bilhões (R$ 1,098 trilhão, no câmbio atual). — Saúdo as medidas que aliviaram as sanções e abriram novas possibilidades para a recuperação econômica, mas todas essas sanções devem ser removidas imediatamente — declarou Guterres durante uma coletiva de imprensa em Damasco, ao concluir o que classificou como uma visita "profundamente significativa e produtiva". — As Nações Unidas estão ao lado do povo sírio neste momento decisivo. E vim trazer o mais forte apelo possível à comunidade internacional: que não poupe esforços para apoiar o povo sírio e o governo sírio. Guterres é o primeiro secretário-geral da ONU a visitar a Síria desde seu antecessor, Ban Ki-moon, em 2009, dois anos antes do início da guerra civil, que deixou mais de meio milhão de mortos. — A Síria precisa de investimentos em seu povo, em sua economia e em suas instituições. Precisa de apoio para restaurar os serviços essenciais, reconstruir a infraestrutura e recuperar os meios de subsistência — disse. Segundo ele, o país também necessita de ajuda "para o retorno seguro, voluntário e digno dos refugiados e das pessoas deslocadas internamente". Desde a queda de Assad, cerca de 1,7 milhão de refugiados retornaram à Síria, segundo a ONU. Ainda assim, aproximadamente 5,5 milhões de pessoas permanecem deslocadas dentro do país, enquanto seis milhões continuam vivendo no exterior. 'Na direção certa' Durante a visita, Guterres reuniu-se com altas autoridades, entre elas o presidente Ahmed al-Sharaa, o ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, e o presidente do novo Parlamento de transição, que realizou sua primeira sessão neste mês. Em Damasco, ele também encontrou integrantes da força de manutenção da paz da ONU destacada nas Colinas de Golã sírias ocupadas por Israel, além de representantes da sociedade civil síria, de diferentes comunidades, de mulheres e de jovens. O secretário-geral também visitou a prisão de Sednaya, nos arredores da capital, considerada a mais notoriamente brutal durante o governo Assad. Desde que Sharaa assumiu o poder, a comunidade internacional vem pressionando as autoridades a estabelecer um sistema de governo que inclua todos os segmentos da sociedade síria, caracterizada por sua diversidade étnica e religiosa. — Não tenho dúvidas em afirmar que essa transição está seguindo na direção certa — disse Guterres. Ele também reiterou que "as violações da soberania e da integridade territorial da Síria são inaceitáveis", poucas horas depois de a imprensa estatal síria informar que forças israelenses realizaram uma incursão e disparos de artilharia no sul do país. Após a derrubada de Assad, Israel enviou tropas para a zona de amortecimento patrulhada pela ONU, que desde 1974 separava as forças israelenses e sírias nas Colinas de Golã ocupadas por Israel. Além disso, as forças do Estado judeu realizaram ataques e repetidas incursões em áreas mais profundas do sul da Síria, onde busca estabelecer uma zona desmilitarizada mais ampla.