Orçamento menor não foi empecilho para festa juntar o maior público em uma edição, de 40 mil pessoas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Multidão se aglomera para ver transmissão da mesa de Angela Davis na programação paralela da Flip — Foto: Alexandre Cassiano RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Apesar de uma redução de 48% no orçamento em relação ao ano anterior, a 24ª edição da Flip registrou recorde de público, atraindo cerca de 40 mil pessoas a Paraty. Com recorde de 46 casas parceiras, a programação paralela ofereceu cerca de mil atividades, incluindo uma concorrida entrevista com a ativista americana Angela Davis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O orçamento da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano foi 48% menor que em 2025. Ainda assim, a 24ª edição do evento, que homenageou a poeta Orides Fontela (1940-1998) e terminou ontem, com o encontro da espanhola Eva Baltasar e da manauara Susy Freitas, foi a maior já feita. Segundo a prefeitura, 40 mil pessoas vieram a Paraty (18% a mais que em 2025). O público da programação educativa (Flipinha, FlipZona e FlipEduca) teve um aumento de 26%. Também foi a “Flip do padre e da juíza”: uma das maiores estrelas foi a ministra do Supremo Tribunal (STF) Cármen Lúcia, entrevistada na sexta-feira. Aclamada pelo público, ela é umas organizadoras do livro “Pela mão do povo: voto e democracia no Brasil” (Bazar do Tempo). Outra coqueluche do evento foi José Tolentino Mendonça, cardeal e poeta português. Na quarta, Tolentino rezou uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito e, na manhã seguinte, arrancou lágrimas da plateia no Auditório da Matriz com sua poesia metalinguística e atenta aos mistérios do sagrado. Flip 2026: público em Paraty reage aos nomes poéticos das mesas do evento Menos pode ser mais O padre e a juíza mostram que nem sempre as participações mais bem-sucedidas são as dos autores escalados para o horário nobre (sexta e sábado) à noite. Participar das primeiras mesas e em horários menos disputados pode ser um bom negócio: se o convidado tiver carisma e se conectar com o público, sua reverberando nas ruas de Paraty, na programação paralela e na lista de mais vendidos. Cármen Lúcia é a organizadora (ao lado da historiadora Heloísa Starling) de um dos livros com maior vendagem durante a festa, segundo dados parciais divulgados ontem pela organização do evento: “Pela mão do povo: voto e democracia no Brasil” ficou em quarto lugar, depois de “Os imortais”, de Paulliny Tort, que empolgou o público que a assistiu na mesa com Andréa del Fuego na quinta-feira à tarde. Em segundo lugar, ficou “Amar é inadiável”, de Socorro Acioli, que havia sido a autora mais vendida em 2023. Com as vendagens de “O século dos imbecis”, Valter Hugo Mãe foi o autor mais vendido, pelo segundo ano consecutivo. Devido a crises de orçamento e escolhas curatoriais, o futuro da Flip já foi colocado em xeque muitas vezes. A festa chegará a sua 25ª edição, em 2027, muito diferente do que era nos início, mas capaz de mudar com a passagem do tempo. Diretor artístico e cultural do festival, Mauro Munhoz adiantou em entrevista coletiva ontem que a captação de recursos já começou para a próxima edição. A data e o nome o do próximo curador não estão fechados. Mil atividades Somados o programa principal e os eventos das 46 casas parceiras (um recorde), foram feitas cerca de mil atividades nos cinco dias do evento. A programação paralela reuniu autores populares como Conceição Evaristo, Socorro Acioli e Valter Hugo Mãe. A filósofa e ativista americana Angela Davis foi entrevistada pela colunista do GLOBO Flávia Oliveira diante de uma plateia de 700 pessoas no Sesc Caborê — e com uma aglomeração do lado de fora. Paraty já estava cheia na terça-feira, um dia antes do começo do festival. Praticamente não houve atividade que não estivesse lotada, fosse um debate técnico com representantes do mercado editorial ou a mesa com o escritor guatemalteco Eduardo Halfon, que se surpreendeu com a quantidade de gente disposta a ouvi-lo num sábado às 10h e aplaudi-lo a cada resposta. Profissionais da indústria editorial notaram que a Flip renovou seu público. Coordenadora de redes sociais na Planeta, Anna Clara Gobatto acredita de booktokers, blogueiros e influenciadores que vieram às últimas edições tenham atraído um público mais jovem ou que não tinha o costume de circular pelo meio literário. A maioria dos convidados estrangeiros não é muito conhecida no Brasil, embora elogiada pela crítica — situação similar à da poeta homenageada no evento, a paulista Orides Fontela (1940-1998). Como o argelino Kamel Daoud, vencedor do Prêmio Goncourt, e a americana Katie Kitamura, já indicada ao Booker Prize e ao Pulitzer. Mas as mesas com esses autores ficaram lotadas da mesma maneira. Se no passado Flip boa era Flip cheia de nomes estrangeiros, a edição de 2026 provou que o Brasil há fartura de autores capazes de segurar a programação principal e atrair público, como Drauzio Varella e Milton Hatoum, que falaram na sexta e no sábado com a alemã Carmen Stephan e o britânico-líbio Hisham Matar, respectivamente.