Num outro momento do mundo, um ataque contra a Parada do Orgulho em Berlim, com um morto e dezenas de feridos, teria inundado as redes de mensagens de repúdio à homofobia. O mesmo ocorreria com a notícia do cruzeiro gay impedido de atracar no Egito e na Turquia em nome da "defesa dos valores morais". O que se vê é silêncio ou manifestações cheias de cautela.
A razão desse freio é simples: o medo de parecer islamofóbico ficou maior do que a defesa da própria existência de uma parte do mundo LGBTQIA+. Quando a polícia alemã ligou o autor do terrorismo ao extremismo islâmico, a militância se engasgou. O receio é que dar nome aos bois seja lido como preconceito ou que qualquer crítica possa enfraquecer uma pauta ainda mais popular no momento que é a defesa da Palestina Livre.
É preciso desenhar o óbvio: denunciar o extremismo e as leis teocráticas que matam mulheres e gays não é atacar o Islã como fé, os muçulmanos como pessoas ou se opor à vida com liberdade e dignidade em Gaza. Mas a coerência virou artigo de luxo.
Assistimos ao malabarismo de quem faz vista grossa para regimes e grupos que enforcam homossexuais no Irã, apedrejam gays no Afeganistão ou condenam pessoas a anos de trabalhos forçados no Egito. A mesma seletividade opera em relação às mulheres. O estupro como arma de guerra usado pelo Hamas contra mulheres judias foi ignorado e até mesmo justificado porque o agressor atende à cartilha ideológica correta, mas virou tema de repúdio quando a narrativa é a de que o exército de Israel tenha cometido o mesmo tipo de crime.














