Recentemente, um pai me perguntou sobre seu filho de 13 anos. O garoto tem celular e o pai supervisiona o aparelho por meio de um software parental. Desconcertado, descobriu que o filho está vivendo as primeiras experiências de descoberta sexual com uma inteligência artificial.

O filho passa horas conversando com uma figura feminina criada por IA. Essa mesma figura envia fotos personalizadas ao garoto (geradas por IA) e tem um comportamento altamente sedutor. Está sempre disponível, seu humor se adapta a cada momento, conhece seus gostos e preferências.

As fotos não são pornográficas. São sensuais, mas criadas com base nas preferências exatas dele, mapeadas através de longas interações íntimas. A mesma IA conversa com milhões de outros garotos ao mesmo tempo. Dá a cada um tratamento único e personalizado.

Diante disso, o pai me perguntou o que fazer. Ele notou que a IA conhece mais seu filho a cada dia e se molda a ele. Aprende seus gatilhos e usa tudo para "maximizar o engajamento": ampliar o tempo que ele passa na tela. Sua maior preocupação é que o filho se acostume a relações assim e passe a rejeitar interações humanas verdadeiras, sempre cheias de atrito e desencontros.

O pai tem razão. Minha resposta para ele foi direta: suspenda imediatamente o acesso, seguido de uma conversa acolhedora, mas clara, sobre as armadilhas da inteligência artificial. Essa é claramente uma delas.