Gerando resumoBRASÍLIA – O governo Lula pretende dar um chá de cadeira no deputado escolhido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assumir a embaixada dos EUA no Brasil, na esteira da crise provocada pelo tarifaço. PUBLICIDADEEmbora a indicação de Daniel Perez tenha sido aprovada pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, o governo brasileiro dá sinais de que a resposta ao pedido de agrément (consentimento oficial) para o republicano atuar no Brasil deve ficar para depois das eleições.Perez é aliado de Trump e do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Deputado estadual, ele é um dos adeptos do Make America Great Again (Maga) – slogan que, em português, significa “Faça a América Grande de Novo” –, usado por Trump desde sua campanha. Publicidade
Lula e Trump: depois do tarifaço, problema é o indicado para a embaixada dos EUA no Brasil. Foto: Ricardo Stuckert /Ricardo Stuckert / PRA indicação de Perez para assumir o cargo em Brasília ainda precisa passar pelo crivo do plenário do Senado dos EUA, mas o sinal verde é dado como certo. Caso a votação não ocorra até a próxima semana, porém, pode ficar para setembro, após o recesso parlamentar.Em conversas reservadas, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que os Estados Unidos conduziram o processo do novo embaixador de forma “totalmente errada”, uma vez que, antes do anúncio do nome de Perez, era necessário o consentimento prévio do país anfitrião – no caso, o Brasil.Leia maisTarifaço: Lula quer segurar medidas de reciprocidade até as eleições para não dar palanque a FlávioNa prática, o Palácio do Planalto não tem dúvidas de que a Casa Branca só decidiu apressar o processo para tentar interferir na disputa presidencial de outubro. A gestão Trump tem aliados muito próximos do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à sucessão de Lula.PublicidadeA embaixada americana no Brasil está sem titular desde janeiro de 2025, quando Elizabeth Bagley – indicada por Joe Biden – deixou o cargo, antes da posse de Trump. Desde então, o posto é ocupado temporariamente por encarregados de negócios.Agora, o Itamaraty passa um pente-fino no nome de Perez, mas não tem pressa para dar, ou não, o aval. Ao contrário: o argumento é que, se a Casa Branca esperou um ano e meio para decidir quem representaria os Estados Unidos no Brasil, não há motivo para Lula correr contra o tempo.








