O diretor de fotografia vai sentado no banco de trás de um carro conversível com uma câmera presa à carroceria com compensado e sacos de areia, filmando dois motoqueiros pela estrada aberta do Novo México. A produção não tinha dinheiro para o caminhão de câmera com rádio que esse tipo de imagem normalmente exige. Teve de improvisar.
O problema de comunicação foi resolvido com sinais de mão entre os atores Peter Fonda e Dennis Hopper e o diretor de fotografia, a 60 km/h, sem parar. O carro fora comprado porque a produção pretendia revendê-lo ao fim das filmagens para recuperar parte do orçamento de 400 mil dólares que a Columbia Pictures liberara para Sem Destino.
Segundo a crítica que Penelope Gilliatt escreveu para The New Yorker na semana da estreia, em julho de 1969, o que se passa na tela em algumas cenas são apenas outdoors da Coca-Cola e cafés vendendo torta caseira. A câmera de László Kovács fora desenhada para uma única missão: manter Wyatt e Billy em quadro, na estrada, sempre em frente.
Em 2026, a Route 66, ou rota 66, com seus 3.860 quilômetros ligando Chicago a Santa Mônica, completa cem anos. Seu ápice coincidiu com a ascensão cultural e geopolítica dos Estados Unidos e com o surgimento da cultura do automóvel. Curiosamente, o filme que mais fez pela mitologia da estrada americana como sinônimo de liberdade trata a comida e a bebida como pano de fundo.








