Brasil tem se recuperado nos últimos anos, mas ainda não atinge as metas em vários imunizantes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Criança é vacinada em Ceilândia, no Distrito Federal — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/ 15/04/2025 São inquietantes os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre a cobertura vacinal global. Houve melhora em 2025, mas não o bastante para fazer o mundo voltar às taxas observadas em 2019, antes da pandemia. Uma das referências utilizadas para mensurar o estágio de vacinação de populações é a Vacina Tríplice Bacteriana (DTP). No ano passado, 90% das crianças no mundo receberam pelo menos uma dose e 85% completaram as três previstas. Embora tenha havido melhora na comparação com 2024, a cobertura global se mantém abaixo da registrada em 2019. Para além dos percentuais, é importante ter a dimensão do problema a partir de números absolutos. Em 2025, um total de 13,5 milhões de crianças não recebeu nem uma dose de vacinação, ante 12,8 milhões em 2019. Cerca de 21 milhões de crianças não tomaram a primeira dose contra o sarampo. Eram aproximadamente 19 milhões há sete anos. A cobertura foi, em 2025, de 84%, insuficiente para prevenir surtos. Isso se explica em parte pelo crescimento populacional e também por dificuldades de acesso a serviços de saúde em diferentes partes do mundo. Em várias outras vacinas, os percentuais continuam evoluindo e, mesmo que os níveis de cobertura em 2019 tenham sido ultrapassados, ainda se encontram muito distantes do ideal. No caso do HPV, a primeira dose para meninas chegou a 33% do público-alvo, bastante acima dos 17% da cobertura antes da pandemia, embora muito distante da meta de 90%. Pelas pesquisas, utilizando como parâmetro a Tríplice Bacteriana, a América Latina e o Caribe, com 82% de cobertura das três doses, tiveram uma forte recuperação, 3 pontos percentuais acima dos 79% de 2019, mas ainda distante da meta de 90%. Há muitas dificuldades para os agentes de saúde no Oriente Médio e no Norte da África, onde os 83% de cobertura da DTP representaram um avanço, e mesmo assim ficaram 6 pontos percentuais aquém do patamar de 2019. As barreiras são as mesmas na África Ocidental e Central, em que apenas 71% da população está vacinada, o nível mais baixo verificado na região. Esses dados demonstram como conflitos armados e insegurança generalizada afetam a saúde de populações. No território da Palestina e particularmente Gaza, por serem áreas conflagradas, a imunização enfrenta enormes obstáculos. A guerra civil no Sudão danificou e fechou unidades de saúde pública. O resultado é que, de acordo com a OMS, desde 2019 o país é o que teve o maior aumento no número de crianças sem qualquer vacina. A situação se repete no Iêmen e na Síria. O Brasil tem a vantagem de contar com um programa nacional de vacinação bem estruturado, o PNI, mas, como a cobertura já vinha caindo antes da pandemia, a recuperação que vem ocorrendo nos últimos anos ainda não atinge as metas em vários imunizantes, embora diversos índices já tenham superado os níveis de 2019. No ano passado, o percentual de vacinados com as três doses de DTP foi de 86%, distante da cobertura total conquistada há duas décadas. Ainda há muito a fazer para proteger a população, num momento em que, em várias partes do mundo, a vacinação é insuficiente, reduzindo, em alguma medida, a segurança da saúde pública em todos os continentes.