Como parte da comemoração dos 15 anos da Casa Folha em Paraty, a conversa nesta sexta-feira (25) com o escritor, colunista da Folha, médico oncologista e contador de ótimos casos Drauzio Varella incluiu duras críticas ao número crescente de faculdades de medicina no Brasil, às plataformas digitais e à religião. Sobrou até para os cirurgiões plásticos.
Ovacionado por uma casa lotada, como já é de costume, Drauzio participou da sétima mesa da Casa Folha na Flip, nomeada "As Incertezas de um Médico". Com mediação da repórter especial Fernanda Mena, o encontro teve como base o livro "O Exercício da Incerteza", de 2022, um relato da experiência médica em mais de 50 anos de carreira.
Respondendo a uma das perguntas da plateia, Drauzio disse que a proliferação de faculdades de medicina no Brasil é absurda. Muitas delas são locais sem infraestrutura e docência adequadas. "O Guarujá [SP] tem duas faculdades de medicina. Cidades de 20, 30 mil habitantes com faculdade de medicina, o que atende a interesses financeiros. [Mensalidades de] R$ 15 mil reais", disse.
Segundo ele, um diretor de faculdade particular contou que aprovar um curso de medicina eleva o preço de mercado em muitos milhões. "Por isso é que chegamos a essa situação dramática hoje. O Brasil é o segundo país do mundo com mais faculdades de medicina, perdendo só para a Índia."






