Em duzentas outras realidades, a Argentina empatou e ganhou nos pênaltis. Nesta, em que estamos alojados ou aprisionados, a bola impossivelmente saiu. E a Espanha ganhou a taça do Mundo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pau Cubarsí corta bola crucial na prorrogação de Espanha x Argentina, pela final da Copa do Mundo 2026 — Foto: Lars Baron / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 18:15 Espanha vence Argentina na final da Copa do Mundo com gol milagroso na prorrogação Em uma reviravolta improvável, a Argentina perdeu para a Espanha na final da Copa do Mundo após um momento milagroso nos minutos finais da prorrogação. O goleiro argentino Dibu Martínez, herói de edições passadas, quase garantiu o empate, mas um desvio sutil da defesa espanhola impediu o gol. Em outras realidades, a Argentina triunfou, mas nesta, a Espanha levou a taça. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O milagre aconteceu aos 122 minutos e quarenta e um segundos do segundo tempo da prorrogação. A bola quicou na frente de Kolo Muani. O placar no Estádio Lusail apontava Argentina 3 x 3 França. Assim que o atacante francês engatilhou o chute, o goleiro argentino Dibu Martínez se lançou no ar, abrindo pernas e braços. A mãe de todas as viradas parou em sua panturrilha. Em duzentas realidades... aquele chute seria indefensável. Nesta, em que ocasionalmente estamos alojados ou aprisionados, a perna de Dibu salvou a pátria platina, as mães da Plaza de Mayo, a saúde de Ricardo Darín, o legado do Messi, a voz de Gardel. Dibu produziu o milagre — e levou o jogo para os pênaltis — onde seria ainda mais herói. Defesa milagrosa de Dibu Martínez em chute de Kolo Muani na final da Copa do Mundo de 2022 entre Argentina e França — Foto: Reprodução Quatro anos depois, o goleiro teria outra atuação memorável numa final de Copa. Seria o melhor jogador de uma Argentina subjugada, uma espécie de Messi do gol num dia em que Lionel esteve mudo. Ou emudecido pela orquestra espanhola comandada por Rodri, o maestro executivo. Se ouvíamos um violino portenho que fosse, ele rapidamente era calado pelo coral espanhol. A bola ficava com a Espanha. Apenas Rodri e os seus tocavam. A melodia era cadenciada, pausada, longa. Um pra lá, dois pra cá, e toque. E toque. E toque. Uma fervura lenta, um passe de cada vez. A bola circulava e ia e voltava — e os argentinos tontamente a perseguiam. O pano vermelho subia e o touro passava. E passava. O touro penava — mas perigosamente sobrevivia. Essa Argentina, como se sabe, tem muitas vidas. Muitas encarnações cabem num parágrafo de Borges, num desvario de Cortázar. Ele — o milagre— seguia ali, espreitando, tocaiando o zero a zero no placar. Messi, crocodilo paciente, derivava em campo — transitando entre os planos, como se aguardasse a visita do destino. O sobrenatural até então não lhe faltara. Contra a França, no Catar, a Argentina viu o título escapar uma, duas vezes. No tempo normal teve dois gols de vantagem. Teve nova vantagem no tempo extra. E precisou de Dibu. Em Nova York, o fim pareceu decretado quando Ferran Torres fez o gol espanhol no início do segundo tempo da prorrogação. Afinal, a Argentina tinha um a menos e vinha sendo amplamente dominada. Mas essa Argentina não aceita a morte. Faltando poucos minutos, a Espanha passou a se livrar da bola. E o touro zumbi, diminuído e moribundo, passou a investir contra o toureiro. E de repente vemos Messi. Ele corre na ponta direita. Está impossivelmente livre. Como pode ser? Ele toca para Simeone, também livre. Simeone invade a área pela direita. E cruza rasteiro. Temos 119 minutos e 39 segundos da prorrogação. A bola em altíssima velocidade atravessa a pequena área espanhola. Um pé argentino se aproxima dela. Um milésimo antes dele, Pau Cubarsí, aos 19 anos, atinge a esfera com um fiapo de bico. A bola desviada toma uma trajetória implausível. Numa diagonal exótica, ela cruza uma fresta mínima entre Unai Simón e a trave. Escanteio. É necessário ver o replay muitas vezes e por diversos ângulos para entender como essa bola não entrou. E mesmo assim... é difícil acreditar. É daqueles momentos únicos, eternos, que para sempre ficam em formato de uh congelado. Em duzentas outras realidades, a Argentina empatou e ganhou nos pênaltis. Nesta, em que estamos alojados ou aprisionados, a bola impossivelmente saiu. E a Espanha ganhou a taça do Mundo.