Moeda americana registrou queda de 0,59% na semana, mesmo com o estresse de quinta Notas de US$ 100 — Foto: Paul Yeung/Bloomberg O dólar à vista operou em queda frente ao real em boa parte da sessão, mas terminou o dia perto da estabilidade, em meio a um alívio na percepção de risco global após notícias da agência Reuters sobre o Paquistão estar buscando um caminho para retomar as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Com isso, o dólar registrou queda de 0,59% na semana, mesmo com o estresse de ontem. Encerradas as negociações desta sexta, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,06%, cotado a R$ 5,0809, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,0499 e batido na máxima de R$ 5,0904. Já o euro comercial caiu 0,13%, a R$ 5,7769. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, estava perto da estabilidade (+0,03%), aos 101,478 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar à vista perdia força frente ao real. No início, operadores mencionaram um ajuste após a forte precificação de risco na sessão de ontem. Ao longo da manhã, a dinâmica ganhou magnitude diante de notícias sobre a intenção do Paquistão e da China de tentar fazer uma ponte no diálogo entre Estados Unidos e Irã. No fim do pregão, esse movimento perdeu força. “Mais uma vez as tensões no Oriente Médio estão orientando os nossos mercados, em especial os juros e o câmbio”, diz um gestor. “Me parece que vamos ficar nesse vaivém até algo maior fazer preço, como as decisões do Fed e do BC por aqui”, afirma, acrescentando não ter visto um motivo concreto para a redução na percepção de risco, apenas um desejo dos agentes de reduzir o sentimento de aversão a risco. Em relatório sobre a projeção do movimento global do dólar, o J.P.Morgan afirmou nesta sexta que a combinação de choque nos preços da energia, riscos geopolíticos e um Federal Reserve (Fed) mais “hawkish” (favorável ao aperto monetário) deve manter o dólar fortalecido frente às principais moedas. "Dois fatores sustentam o dólar. Primeiro, o dólar continua subvalorizado em relação ao diferencial de juros [dos países desenvolvidos], ou seja, sua valorização ainda não acompanhou a abertura dos spreads de taxas de juros. Segundo, embora a taxa terminal esperada para o Fed tenha subido com a alta dos preços da energia, a correção desses preços [do petróleo] em junho não levou a uma reversão dessa precificação, indicando que a reavaliação mais dura da política monetária do Fed vai além do choque da energia." No caso do mercado de cupom cambial, como a taxa de juros em dólar passou todo o mês bem comportada, operadores veem pouco espaço para o Banco Central fazer “casadão” no fim deste mês. A forma como a autoridade monetária pode enxugar o estoque de swap cambial, segundo operadores, seria deixar vencer parte do estoque. Lembrando que na segunda-feira a autarquia deve rolar o último lote de 50 mil contratos com vencimento em agosto.