A declaração foi dada um dia após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros O vice-presidente Geraldo Alckmin reafirmou nesta sexta-feira (24) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidirá "no momento adequado" sobre uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Segundo ele, a prioridade do governo continua sendo manter as negociações com Washington. A declaração foi dada um dia após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, após uma investigação do governo americano alegar supostas falhas do Brasil ao adquirir produtos de países que, supostamente, teriam trabalho análogo à escravidão. "O presidente Lula vai tomar a decisão no momento adequado. A Lei da Reciprocidade tem um caminho mais longo, com audiências públicas. Mas o que o presidente Lula tem destacado é: 'não sair da mesa de negociação com os Estados Unidos'. O que depender de nós é continuar a negociação", afirmou Alckmin a jornalistas após agenda do governo federal nas instalações da Avibras Aeroespacial, em Jacareí (SP). A empresa brasileira projeta, desenvolve e fabrica produtos e serviços de defesa. Participaram do evento, além de Lula e Alckmin, os ministros Márcio Elias Rosa (Mdic), Alexandre Silveira (MME), José Mucio (Defesa), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e o empresário Joesley Batista, controlador da JBS. No discurso durante o evento, Lula não mencionou a decisão do governo americano. O petista concentrou-se na retomada das operações da Avibras, oficializada em abril após anos de paralisação e greve de funcionários. Lula afirmou que a "gente quer paz", mas destacou o fortalecimento da indústria de defesa e disse que os investimentos no setor é uma "prioridade" diante de "loucos no mundo querendo fazer guerra." "Cuidar da defesa deste país não é coisa pequena. É prioritária", afirmou o presidente. Na última quinta-feira, em nota, o Palácio do Planalto acusou o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de utilizar de forma "arbitrária" alegações relacionadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão para justificar uma política comercial protecionista. Na manifestação, o governo informou que dará início aos procedimentos para avaliar a adoção dos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e que pretende recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A expectativa do governo brasileiro é que a nova tarifa de 12,5% seja cumulativa à sobretaxa de 25% que entrou em vigor na quarta-feira (22). Se essa interpretação for confirmada, a alíquota total incidente sobre os produtos brasileiros chegará a 37,5%. Alckmin — Foto: Wenderson Araujo/Valor