E, de repente, o Paraguai virou uma “solução mágica” para quem busca impostos mais baixos e ambiente favorável aos negócios. No Fala, Duquesa! desta semana, a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, explica que nem tudo é cor de rosa (veja a íntegra do programa acima).PUBLICIDADESegundo a colunista, o movimento tem despertado curiosidade, entusiasmo e até uma certa dor de cotovelo. Afinal, como pode um país menor, com regras mais simples, competir com uma economia grande — e historicamente engessada — como a brasileira? Mas reduzir essa discussão ao "hype" tributário é um erro — e um convite a problemas maiores, afirma ela.“Paraguai não é só alíquota. Paraguai é vida real. Tem banco, crédito, recebimento, meio de pagamento, tem contabilidade local, tem obrigação, tem contrato, tem cultura — cultura de negócios e principalmente, tem qualidade de vida”, completa ela, explicando que há desafios claros de infraestrutura e segurança. Mudar de país, completa a Duquesa, não é “ir ali economizar imposto e voltar para jantar”. Mudar para o Paraguai pensando só na redução de impostos pode ser um grande problema Foto: Kiko Sierich/Estadão“Diminuição de imposto não sustenta produto ruim e serviço ineficiente.” Sem operação estruturada, sem entender a vida prática e sem um plano sólido, a chance de trocar um problema conhecido por outro pior é grande. “Se a sua competitividade é fraca por preço, por qualidade, por entrega, pós-venda, processo, não é uma alíquota do Paraguai que vai virar o seu negócio do avesso e transformar você numa máquina de fazer dinheiro.”Leia tambémPor que o Paraguai virou paraíso para brasileiros viverem e fazerem negócios?Entenda em cinco pontos as mudanças da reforma tributária para quem tem aluguel de imóveisVou pagar mais imposto com a reforma tributária? Mudança próxima eleva pânico disseminado nas redesAlém disso, imposto não compra operação. “Logística, equipe e cliente podem não ir junto no seu espírito de Dora Aventureira. Você combinou com a sua logística? Com a sua equipe? Com os seus clientes?”, diz a Duquesa. Muitas vezes, a economia tributária é anulada por perdas em eficiência, frete e atendimento. Ganhar 10 no imposto e perder 30 na operação é mais comum do que se imagina.PublicidadePor fim, há o erro mais grave: fingir que mudou. Endereço, conta bancária ou chip estrangeiro não definem residência fiscal. Se a vida, a renda e as decisões continuam no Brasil, o risco de autuação é real — e crescente. O monitoramento da Receita só tende a se aprofundar. “Imposto importa, claro, mas mudar de país é decisão de vida, não cupom de desconto. O Paraguai faz o que países menores precisam fazer para atrair investimentos. O problema é tratar isso como atalho esperto. Planejamento vence improviso — sempre.”ProgramaTodas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão. Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão. Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na Rádio Eldorado. A atração também tem uma versão em podcast.Siga a Duquesa de Tax no EstadãoNão vou passar raiva sozinha no SpotifyNão vou passar raiva sozinha no Apple Podcasts
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