A 3ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo (SP) condenou a 40 anos de prisão o médico Paulo Barição, acusado de provocar perda de visão parcial ou permanente em 21 pacientes durante um mutirão de catarata realizado no Hospital de Clínicas Municipal José Alencar, em 2016.

Cabe recurso contra a sentença, assinada pelo juiz André Luiz Rodrigo do Prado Norcia.

Segundo os autos, Barição realizou cirurgias de catarata no mutirão e, em razão de má esterilização do material, causou infecções que resultaram em lesão permanente nos pacientes. A perícia constatou que a mesma bactéria contaminou todas as vítimas.

O juiz destacou que as provas obtidas ao longo do processo demonstram que a contaminação decorreu de falha grave na esterilização.

Norcia acrescentou que o médico assumiu o risco e que o dolo eventual se comprovou, inclusive pelo alto número de vítimas. “Reconheça- se, se sua conduta tivesse vitimado apenas uma ou duas vítimas, seria difícil a comprovação de seus crimes. Mas, neste caso, o réu reafirmou sua conduta a cada paciente, intencionalmente, assumindo o risco das lesões que acabaram ocorrendo em todas essas vítimas.”