Ministério das Relações Exteriores chinês disse que Pequim continuará a 'desempenhar um papel ativo para restaurar a paz e a tranquilidade na região do Golfo, no Oriente Médio, o mais rápido possível' Bandeiras nacionais do Irã e do Paquistão são exibidas ao longo de uma rua antes da chegada do presidente iraniano Masoud Pezeshkian a Islamabad, Paquistão, em 23 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Waseem Khan/Foto de Arquivo O Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações paralisadas entre Estados Unidos e Irã sobre o fim da guerra, que já dura quase cinco meses, disseram três fontes paquistanesas, após uma iniciativa impulsionada pela China. Discussões exploratórias ocorreram durante uma visita do ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, a Islamabad nesta semana — a segunda dele em dez dias, disseram as fontes. Momeni, considerado próximo da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês), se reuniu nesta semana com líderes do governo paquistanês e com o chefe do Exército, Asim Munir, segundo comunicados do governo do Paquistão. As três fontes alertaram, no entanto, que os obstáculos para qualquer negociação com os EUA continuam elevados. O Paquistão se vê em uma situação cada vez mais complicada como potencial mediador. No início desta semana, o movimento houthi do Iêmen, apoiado pelo Irã, declarou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, aliada próxima de Islamabad que assinou no ano passado um tratado de defesa mútua com o Paquistão. O governo paquistanês depende do apoio financeiro saudita, e Islamabad condenou firmemente os recentes bombardeios dos houthis contra a Arábia Saudita, uma vez que ser visto como receptivo demais aos argumentos iranianos poderia desagradar a Riad. Islamabad, além disso, depende de Pequim, que tem sido uma importante fonte de apoio financeiro ao país e possui interesses econômicos em uma solução diplomática que permita a reabertura de importantes rotas comerciais do Oriente Médio. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, ainda discutiu a nova iniciativa para o Oriente Médio com autoridades chinesas durante uma visita à China na semana passada, disseram as três fontes paquistanesas. Elas falaram sob condição de anonimato porque não tinham autorização para discutir o assunto publicamente. “Os chineses estão insatisfeitos porque os ataques do Irã contra outros países do Golfo e o fechamento do Estreito de Ormuz estão afetando seus interesses”, disse uma autoridade do governo paquistanês. Interrupções no Mar Vermelho atingiriam outra rota comercial importante da qual Pequim depende. Dar e a área de relações públicas das Forças Armadas paquistanesas não responderam a pedidos de comentário. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que “a China apoia os esforços de mediação realizados pelo Paquistão e por outras partes”. Acrescentou que Pequim continuará a “desempenhar um papel ativo para restaurar a paz e a tranquilidade na região do Golfo, no Oriente Médio, o mais rápido possível”. Agente de polícia passa diante de um painel sobre as negociações entre EUA e Irã em Islamabad, no Paquistão — Foto: AP Foto/Anjum Naveed Interrupção dos ataques é necessária, diz autoridade Pequim é o maior parceiro comercial do Irã e o principal comprador de seu petróleo bruto exportado, apesar das sanções internacionais contra Teerã, beneficiando-se de grandes descontos na compra da commodity. Ao longo dos anos, a China também ampliou o apoio à segurança iraniana por meio de componentes de uso dual, equipamentos para fabricação de chips e sistemas de navegação por satélite, embora não tenha fornecido abertamente ajuda militar ao Irã desde o início da guerra. Pequim tem apoiado de forma consistente os esforços de mediação do Paquistão e, em março, enviou seu representante especial para conduzir uma rodada de diplomacia itinerante pelo Oriente Médio. EUA e Irã assinaram em junho um memorando de entendimento para avançar na direção do fim da guerra, após mediação de Paquistão e Catar. O documento previa uma janela de 60 dias para negociações sobre um acordo permanente. As negociações indiretas, porém, não avançaram. Os dois lados acusaram um ao outro de violações, e o conflito foi retomado. Os houthis disseram na quinta-feira que atingiram dois petroleiros sauditas como parte de seu bloqueio naval, ameaçando criar um segundo ponto de estrangulamento para o fornecimento global de petróleo, além do fechamento quase completo do Estreito de Ormuz. A escalada aumentou tanto a importância quanto os obstáculos para os mais recentes esforços diplomáticos do Paquistão. A interrupção dos ataques contra a Arábia Saudita e outros países do Golfo passaria agora a ser um “pré-requisito para a retomada de qualquer negociação”, disse uma autoridade paquistanesa. Segundo ela, essa mensagem já foi transmitida pelo Paquistão ao Irã.
Paquistão e Irã exploram caminho para novas negociações com os EUA em iniciativa da China
Ministério das Relações Exteriores chinês disse que Pequim continuará a 'desempenhar um papel ativo para restaurar a paz e a tranquilidade na região do Golfo, no Oriente Médio, o mais rápido possível'







