Fechamento dos hotéis reflete êxodo mais amplo de empresas internacionais, incluindo companhias financeiras e de logística, após o endurecimento das sanções dos EUA Vista de Havana, Cuba: país enfrenta grave crise econômica após aperto de sanções americanas — Foto: REUTERS/Alexandre Meneghini O grupo hoteleiro espanhol Meliá anunciou, nesta sexta-feira (24), o fim de todas as operações de seus 34 hotéis em Cuba, em decorrência do endurecimento das sanções dos Estados Unidos e da crescente crise econômica na ilha. A empresa apontou dificuldades operacionais, jurídicas e financeiras como os fatores determinantes para a sua saída do país, onde mantinha forte presença desde 1990. A retirada total consolida o anúncio feito pela companhia no mês passado, quando havia informado a paralisação de 15 de seus 34 estabelecimentos. A saída da Meliá ocorre após anúncios semelhantes das redes Iberostar e Barceló, marcando o fim de décadas de atuação das três principais correntes hoteleiras espanholas no mercado turístico cubano. O turismo, considerado um ponto essencial da economia de Cuba, despencou neste ano com aprofundamento da crise econômica em meio a um bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos no início de 2026. Entre janeiro e abril, a chegada de visitantes internacionais caiu para 328.608 entradas, registrando uma queda de 56% em comparação ao mesmo período de 2025. A pressão de Washington aumentou no início deste mês após a imposição de sanções ao Ministério do Turismo de Cuba. O fechamento dos hotéis reflete um êxodo mais amplo de empresas internacionais, incluindo companhias financeiras e de logística, que passaram a reavaliar o risco elevado de operar na ilha após o endurecimento das sanções norte-americanas. Nesse contexto, a Visa e a Mastercard suspenderam diversas operações, enquanto companhias aéreas de peso como Air France, Turkish Airlines, Iberia e World2Fly paralisaram seus voos para o destino.