A reconciliação de Flávio e Michelle Bolsonaro, registrada em vídeos coordenados nas redes sociais, foi resultado de um esforço concentrado que mobilizou por uma semana aliados dos dois lados da guerra do ex-clã presidencial. O movimento coreografado ocorre dois dias antes da convenção que vai confirmar a indicação do filho 01 de Jair Bolsonaro para a corrida presidencial. Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, a força-tarefa de “bombeiros” incluiu a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do coordenador da pré-campanha de Flávio à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN). “Foi uma luta de mais de uma semana”, resumiu um dos atores envolvidos no cessar-fogo. Conforme o roteiro traçado pelos “bombeiros”, Flávio Bolsonaro primeiro publicou um vídeo de 2 minutos e 35 segundos pedindo desculpas à madrasta, e ela postou duas horas depois um vídeo de 2 minutos e 9 segundos aceitando o pedido e se comprometendo a ajudá-lo na corrida presidencial. “Todos nós cometemos erros, isso é humano. Aceito o seu pedido, eu te desculpo”, disse Michelle, prometendo reunir um “Exército de pessoas de bem” para “resgatar o Brasil”. De acordo com uma fonte que acompanhou de perto a articulação do armistício, “muita gente trabalhou nos bastidores, não foi obra de um só”. “A Celina convenceu a Michelle [a concordar com a gravação do vídeo] e passou o que era pro Flávio fazer. Aí entrou a turma mais próxima do Flávio, principalmente o Valdemar, que convenceu o Flávio a gravar esse vídeo.” Celina é uma das lideranças políticas mais próximas de Michelle e conta com o apoio da ex-primeira-dama em sua campanha para seguir no comando do Palácio do Buriti. Veja fotos de Michelle Bolsonaro 1 de 13 Michelle no casamento com Bolsonaro, em 2013 — Foto: Reprodução/Aszmann/Revista Festejar Noivas RJ 2 de 13 Vestido faz Michelle bolsonaro bombar em buscas no Google — Foto: Reprodução X de 13 Publicidade 13 fotos 3 de 13 Na cerimônia de posse, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, chamou a atenção ao fazer um discurso em libras no parlatório, antes de Bolsonaro — Foto: Jorge William / Agência O Globo 4 de 13 Michelle usa popularidade para apoiar candidatos — Foto: Reprodução X de 13 Publicidade 5 de 13 Michelle Bolsonaro em evento com pastores em apoio à candidatura da ex-ministra Damares Alves — Foto: Jussara Soares/Agência O GLOBO 6 de 13 Bolsonaro e Michelle durante o evento em Natal — Foto: Reprodução X de 13 Publicidade 7 de 13 Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — Foto: Douglas Gomes/Lid Republicanos/Flickr 8 de 13 Michelle Bolsonaro e Ciro Nogueira na Assembleia da ONU — Foto: Reprodução X de 13 Publicidade 9 de 13 Michelle Bolsonaro com a mulher do Guilherme de Pádua, assassino da Daniella Perez — Foto: Reprodução/Em Off 10 de 13 Michelle Bolsonaro — Foto: Cristiano Mariz / O Globo X de 13 Publicidade 11 de 13 Exposição de trajes da posse presidencial. Michelle posa ao lado do vestido que usou na cerimônia — Foto: Alan Santos/PR 12 de 13 A primeira-dama participa da sessão solene em homenagem ao Dia Mundial das Doenças Raras, no Congresso — Foto: Jorge William/Agência O Globo/27-02-2019 X de 13 Publicidade 13 de 13 Michelle e Bolsonaro durante desfile do 7 de Setembro — Foto: Reprodução Já Michelle deve disputar uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal, tradicional reduto bolsonarista onde a sua vitória é dada como certa. Lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula. “Celina e Damares foram as grandes responsáveis. Elas fizeram acontecer”, afirmou ao blog um aliado de Michelle que pediu para não ser identificado. No vídeo de resposta a Flávio, ela fez questão de agradecer nominalmente às duas, “que se empenharam dia e noite para que esse momento de reconciliação pudesse acontecer”. Depois do desfecho, um interlocutor de Flávio chegou a brincar que a governadora do DF “merece o prêmio Nobel da Paz”. ‘Ninguém é perfeito’ No vídeo desta quinta-feira (23), Flávio fala em “evitar qualquer divisão”, elogiou o “grande trabalho” de Michelle à frente do PL Mulher e pregou união no campo da direita para impedir a reeleição do presidente Lula. “Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores", declarou o pré-candidato do PL. “Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. Também faço um pedido à militância: para a gente olhar para frente nesse momento, focar no objetivo principal, que é resgatar o nosso Brasil.” Logo após a postagem, Michelle curtiu a publicação de Flávio no Instagram, antes de publicar o próprio vídeo. Em meio à guerra no clã Bolsonaro, Flávio busca uma mulher para compor a chapa e tem feito acenos ao eleitorado feminino – na semana passada, lançou um programa de governo voltado às mulheres, o “Brasil por Elas”, com proposta de zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo. Mas com os atritos públicos com a madrasta e os desdobramentos das investigações do caso Banco Master, que ganharam um novo capítulo com a abertura de inquérito para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, Flávio não só se viu isolado e com dificuldades para angariar apoio de outras legendas, como também deve deixar para depois da convenção deste sábado o anúncio de quem vai ser a sua companheira de chapa. Pesquisas O impacto da guerra intestina no clã Bolsonaro foi medido pela mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada no último dia 15. Para 45% do total de entrevistados, Michelle acertou ao divulgar o vídeo com críticas a Flávio em suas redes sociais, enquanto 38% avaliam que a ex-primeira-dama cometeu um erro. Mas a percepção do episódio variou substancialmente nos diferentes espectros políticos dos entrevistados, mostrando maior apoio a Michelle na esquerda do que na própria direita. Entre os lulistas, 62% acham que Michelle acertou, enquanto 26% avaliam que ela errou ao divulgar o vídeo. No universo bolsonarista, a situação é diametralmente oposta: só 20% acham que ela acertou, enquanto 64% consideraram a postura da ex-primeira-dama um equívoco. Já para os eleitores independentes, que podem selar o resultado das urnas e não são automaticamente alinhados nem à esquerda, nem à direita, há um racha: 39% afirmaram que Michelle acertou, enquanto 36% acham que foi um erro a publicação do primeiro vídeo. Faixa de Gaza A relação de Michelle com os filhos de Bolsonaro nunca foi boa – e se deteriorou ainda mais em novembro do ano passado, quando ela criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, articulada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do senador Eduardo Girão (Novo), Michelle chamou a articulação com o tucano de precipitada, causando mal-estar no partido. Em vídeo divulgado no mês passado, Michelle disse que entrou em contato com Flávio para tratar da disputa no Ceará, mas que teria recebido o recado de que não deveria interferir nas articulações internas do PL. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle no vídeo. Conforme informou o blog, Michelle avisou com antecedência ao marido que gravaria o vídeo com duras críticas a Flávio Bolsonaro, a quem acusou de aplicar uma “punhalada” sobre ela. De acordo com um interlocutor da ex-primeira-dama, não dá para dizer que Bolsonaro autorizou a iniciativa, mas que ele a entendeu. “Ele está na Faixa de Gaza. Deixou ela desabafar”, resumiu esse aliado.
‘Força-tarefa’ de aliados de Flávio e Michelle Bolsonaro articulou reconciliação
‘Força-tarefa’ de aliados de Flávio e Michelle Bolsonaro articulou reconciliação












