Associações defendem que diplomacia seja ampliada para tentar reverter adoção de sobretaxas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 ECO - Rio de Janeiro, RJ. 21/03/2022. Drone - Aumento do preço do frete marítimo e rodoviário. NA FOTO: Porto do Rio. Navios e contêineres. — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo. RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 20:54 Sobretaxa dos EUA: Indústrias brasileiras pedem ação diplomática Instituições brasileiras reagem à imposição de sobretaxa de 12,5% pelos EUA sobre produtos nacionais, pedindo fortalecimento da diplomacia para reverter a medida. Setores como máquinas, açúcar, calçados e rochas naturais destacam o impacto negativo nas exportações, criticando retaliações e defendendo negociações como solução. A CNI e outras entidades buscam diálogo para reduzir tarifas e preservar competitividade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Instituições representativas de diversos setores da economia brasileira se manifestaram após o anúncio da sobretaxa de 12,5% pelos Estados Unidos aos produtos aqui realizados. Diversas associações reafirmaram o pedido de fortalecimento das conversas entre o governo brasileiro e o americano na tentativa de criar acordos que baixem as alíquotas. De acordo com a Amcham, cerca de três mil produtos exportados do Brasil aos EUA, equivalente a US$ 10,7 bilhões, terão tarifas de 37,5%. A Abimaq, que representa a indústria de máquinas e equipamentos, defende que “o caminho mais adequado é o fortalecimento da diplomacia, tanto em nível governamental quanto empresarial”. A entidade rechaçou a ideia de adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta a nova alíquota, e que, apesar da “decisão dos Estados Unidos ter motivação predominantemente política, uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a nova alíquota de 12,5% “cria uma falta de competitividade total”, o que torna mais crítico o cenário para os produtos manufaturados. Em comunicado, Alban disse que “o setor produtivo continuará apoiando as negociações do governo brasileiro com os norte-americanos”. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) lamentou a decisão e diz acreditar na atuação do governo na condução de tratativas diplomáticas e comerciais com os EUA. A entidade afirmou que “decisão desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países”. De acordo com a associação, “as exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas às tarifas e restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional”. A Abicalçados, que reúne o setor da indústria calçadista, afirmou que a alíquota representa “mais um revés na relação comercial” entre EUA e Brasil. Para Haroldo Ferreira, o movimento “piora o que já estava ruim”. O aumento amplia o diferencial tarifário entre o Brasil e países asiáticos, como Vietnã, Indonésia e Camboja. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) “cobra uma atuação firme, técnica e coordenada do governo brasileiro para buscar a ampliação das exceções e a garantia de regras claras para as empresas, de modo a evitar o agravamento das barreiras impostas ao comércio entre os dois países”. A Associação dos Minerais Críticos (AMC) diz acompanhar as medidas e afirmou que o setor “adota padrões de responsabilidade socioambiental, respeito aos direitos humanos, rastreabilidade e gestão de fornecedores, reconhecendo que esses pilares são essenciais para cadeias de suprimentos responsáveis”. Em relação à reciprocidade, Marisa Cesar, presidente da AMC, afirmou que “mecanismos de diálogo e negociação tendem a produzir resultados mais favoráveis ao desenvolvimento das cadeias produtivas do que a ampliação de barreiras comerciais”. Representando o setor de rochas naturais, como pedras utilizadas na construção civil, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) afirmou que “a decisão representa um novo desafio para a competitividade do setor brasileiro de rochas naturais”. A associação afirmou que seguirá buscando alternativas, junto com representantes do governo e do setor nos EUA, “que minimizem os impactos da medida e preservem as condições de acesso das rochas naturais brasileiras ao mercado norte-americano”.