Reajustes de planos de saúde se tornaram um pesadelo. São sempre superiores à inflação geral da economia. Em 2026, “podem chegar até 20%”, conforme notícias recentes na mídia. Para quem paga, a dúvida é o tamanho do rombo no orçamento.

As séries históricas de aumentos dos valores das contraprestações e reajustes autorizados exibem com nitidez que os planos aumentam acima dos rendimentos de indivíduos e famílias. Na velhice o crescimento das despesas com planos pode impossibilitar o pagamento ou não restar quase nada para gastos, inclusive com alimentação.

Ainda assim, a disposição para ­custear individualmente assistência privada à saúde teria aumentado. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, 48% em 2022 e atualmente 50% dos brasileiros (56% dos homens e 65% de quem vota em Bolsonaro) preferem pagar menos impostos a contribuir para o financiamento de serviços públicos de saúde.

Interpretações apressadas concluem que tudo vai bem no planeta privado e nem tão mal no público. Mudanças incrementais vão dando conta do recado. A parcela da população com maior poder de vocalização de demandas manifesta preferência por manter o status quo projetado no acesso diferenciado à saúde.

O SUS de pouco em pouco ficaria um pouquinho melhor, todos os incumbentes que concorrerão às eleições vão declarar avanços, melhorias na saúde pública. Como a pesquisa não discrimina os 28% da população vinculados a planos de saúde privados, a experiência anual do susto e posterior aperto nos gastos fica diluída. Embora seja plausível supor que parte dos que paguem planos também seja desfavorável ao financiamento coletivo da saúde pública.