O objetivo é medir a capacidade de o país crescer sem gerar pressões inflacionárias A economia brasileira operou acima do seu potencial produtivo no primeiro trimestre de 2026, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI), que estima um hiato do produto positivo de 0,9% no período. O resultado consta no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de julho, divulgado nesta quinta-feira (23). O hiato do produto é a diferença entre o Produto Interno Bruto (PIB) efetivo e o PIB potencial. O objetivo é medir a capacidade de o país crescer sem gerar pressões inflacionárias. Se o nível de atividade está acima do potencial, a economia opera com hiato positivo, ou seja, está sobreaquecida, o que gera pressões inflacionárias. Quando é negativo, indica capacidade ociosa da economia. A IFI calcula que a economia brasileira opera com hiato positivo desde o segundo trimestre de 2024. Depois de atingir 1,3% no primeiro trimestre de 2025, o hiato do produto recuou gradualmente ao longo do ano e ficou em 0,9% nos três primeiros meses de 2026. Apesar da desaceleração, a IFI avalia que o nível de atividade continua acima do potencial, sem sinais de ociosidade relevante e alguma pressão cíclica sobre a atividade. Para chegar a esses dados, o órgão atualizou a sua metodologia de calculo do hiato do produto. A principal mudança foi a incorporação de variáveis ligadas ao chamado capital natural na função de produção, como a área colhida e o consumo de energia elétrica, com o objetivo de representar de forma mais adequada características da economia brasileira. A metodologia também combina modelos univariados, multivariados e de função de produção, utilizando a mediana das estimativas como referência central. — Foto: Pexels/Pixabay