Relatório aponta prejuízo equivalente a 18% do PIB do país e afirma que reconstrução pode levar até dez anos sem novos investimentos públicos e privados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas buscam corpos em meio aos escombros de um prédio em Caraballeda, na Venezuela, em 22 de julho de 2026, quase um mês após os terremotos de 24 de junho — Foto: JUAN BARRETO / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 14:10 Banco Mundial: Terremotos na Venezuela Custam 18% do PIB e Exigem Reconstrução Urgente O Banco Mundial estima que os terremotos na Venezuela causaram US$ 19,6 bilhões em danos, cerca de 18% do PIB do país. A reconstrução pode levar até dez anos sem novos investimentos. Quase 5.400 pessoas morreram e milhares estão desaparecidas. O relatório sugere aumentar investimentos públicos e privados para acelerar a recuperação, destacando a necessidade de coordenação internacional. A ONU calcula danos em US$ 37 bilhões e mais de 1 milhão precisam de ajuda imediata. O esforço de reconstrução é crucial para a recuperação econômica do país. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Banco Mundial estimou, nesta quinta-feira, que os dois terremotos que devastaram a Venezuela em 24 de junho — e que completam um mês amanhã — provocaram aproximadamente US$ 19,6 bilhões (R$ 99 bilhões, na cotação atual) em danos físicos a moradias, edifícios e infraestrutura, o equivalente a cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em uma avaliação preliminar, a instituição também defendeu a ampliação dos investimentos públicos e privados para acelerar a reconstrução. Segundo o relatório, quase metade dos prejuízos, cerca de US$ 9,3 bilhões (R$ 47 bilhões), corresponde aos danos em moradias. Os edifícios não residenciais sofreram perdas de aproximadamente US$ 5 bilhões (R$ 25,3 bilhões), enquanto os danos à infraestrutura somaram US$ 5,2 bilhões (R$ 26,3 bilhões). Pelo menos 5.398 pessoas morreram em decorrência dos terremotos do mês passado, segundo o balanço oficial mais recente, enquanto 16.740 ficaram feridas. Os dois fortes tremores atingiram a região centro-norte da Venezuela com apenas 39 segundos de intervalo, destruindo centenas de edifícios e comprometendo os sistemas de fornecimento de energia elétrica e água. Os estados de La Guaira e o Distrito Capital, onde fica Caracas, concentraram 47% dos danos identificados, seguidos por Miranda e Carabobo. Estimativas extraoficiais apontam ainda que há milhares de desaparecidos. — Um relatório como este normalmente levaria meses para ser concluído, mas precisávamos produzi-lo com mais rapidez porque o tempo da reconstrução será fundamental — afirmou, em entrevista, Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. Segundo ela, o documento pode orientar as decisões de financiamento do governo e melhorar a coordenação entre os parceiros internacionais envolvidos na recuperação do país. Segundo o Banco Mundial, a concessão de empréstimos para ações de socorro e reconstrução tem sido dificultada porque a Venezuela permaneceu afastada dos organismos multilaterais de crédito por mais de duas décadas e está em situação de inadimplência desde 2017. O levantamento também aponta que os setores de educação e saúde foram especialmente afetados. Mais de 900 escolas, distribuídas por nove estados, e 38 hospitais sofreram danos provocados pelos terremotos, enquanto a infraestrutura ligada ao setor de energia registrou impactos relativamente limitados. A estimativa do Banco Mundial é significativamente inferior à das Nações Unidas, que calculam em cerca de US$ 37 bilhões (R$ 187,3 bilhões) os danos físicos à infraestrutura e às moradias. A ONU estima ainda que mais de 1 milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária imediata e, no início deste mês, lançou um apelo de quase US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) para atender 1,3 milhão de venezuelanos. Impactos por uma década O Banco Mundial avalia que o ritmo da reconstrução será um fator decisivo para a recuperação econômica da Venezuela e alerta que o desastre deve afetar a produtividade, o consumo e o crescimento do PIB durante a próxima década. "Estes impactos podem ser mitigados ampliando o investimento público e privado para acelerar a reconstrução", afirma o relatório. "Se a margem fiscal se ampliar, um maior investimento público poderia antecipar a reconstrução e as transferências às famílias afetadas mitigariam as perdas de consumo." A instituição informou ainda que trabalha em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) para coordenar apoio técnico e financeiro. — A Venezuela precisa de mais investimentos — ressaltou Cordeiro Guerra. — O Banco continuará sendo um parceiro técnico e estamos avaliando formas de apoiar o governo, inclusive com financiamento, para encontrar maneiras eficazes de atrair investimentos privados. Segundo o estudo, seria possível concluir a reconstrução em cinco anos caso a Venezuela consiga mobilizar US$ 9,8 bilhões (R$ 49,8 bilhões) em financiamento público adicional e US$ 9,6 bilhões (R$ 48,8 bilhões) em investimentos privados. Sem esses recursos, porém, o país terá de remanejar verbas já existentes, o que pode prolongar o processo de reconstrução para pelo menos dez anos. O relatório também alerta que, caso os gastos extras sejam financiados integralmente por dívida externa, a relação entre dívida e PIB da Venezuela poderá aumentar em 8,1 pontos percentuais até 2036. Antes mesmo dos terremotos, os estados atingidos enfrentavam dificuldades econômicas e sociais. Rica em petróleo, gás e minerais, a Venezuela vive há anos uma crise marcada pela pobreza e pela deterioração da infraestrutura. Parte dessa pressão econômica foi aliviada após Washington depor o então presidente Nicolás Maduro em uma operação militar, em janeiro, mas as necessidades econômicas e sociais da população seguem elevadas. Washington assumiu o controle das receitas petroleiras do país, que são depositadas em contas bancárias dos Estados Unidos. Oficialmente, o governo do presidente americano, Donald Trump, supervisiona estreitamente como essas receitas são gastas. Medicamentos, itens de primeira necessidade e maquinário de origem americana foram as primeiras compras realizadas pelo governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, segundo o Departamento de Estado. Após a deposição de Maduro, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomaram o diálogo com o novo governo venezuelano. Segundo a instituição, a recuperação do país exigirá um esforço coordenado entre governo, organismos multilaterais e iniciativa privada. Segundo Cordeiro Guerra, o Banco Mundial apoiará os esforços de recuperação "a cada passo do caminho". Quase um mês após a tragédia, as equipes seguem trabalhando na busca por desaparecidos sob os escombros, embora a prioridade tenha passado gradualmente das operações de resgate para a assistência humanitária e a reconstrução. Nesta semana, Delcy prometeu entregar 4 mil moradias até o fim do ano para famílias desalojadas, incluindo cerca de 23 mil pessoas que permanecem sem casa. (Com AFP e Bloomberg)