Desastre – o terremoto mais letal do país desde 1812 – ocorreu no momento em que as condições socioeconômicas já eram precárias, com taxa de pobreza superior a 76% Sismo na Venzuela: 47% dos danos ocorreram em edifícios residenciais, 27% em infraestrutura e 26% em construções não residenciais — Foto: Miguel Medina/Pool Photo via AP Os dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho causaram US$ 19,6 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) em danos físicos diretos, mas o custo da reconstrução poderá ser o dobro desse valor ou até maior, segundo um relatório preliminar divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Banco Mundial. Os tremores magnitude 7,2 e 7,5 mataram cerca de 5 mil pessoas, segundo o governo, destruindo edifícios residenciais, infraestrutura e construções não residenciais nas regiões do norte do país, incluindo a capital, Caracas. As autoridades estimam que quase 17 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 18 mil continuam desabrigadas. O desastre – o terremoto mais letal do país desde 1812 – ocorreu no momento em que as condições socioeconômicas já eram precárias, com uma taxa de pobreza superior a 76%, segundo o Banco Mundial. Cerca de 7,9 milhões de pessoas deixaram o país desde 2015, quando a crise começou a se agravar. "O terremoto causou cerca de US$ 19,6 bilhões em danos físicos diretos, um valor impressionante para qualquer economia e que exige uma resposta coordenada", afirmou Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial responsável pela América Latina e o Caribe. "Sem investimentos adicionais em tempo hábil, o impacto negativo sobre a capacidade produtiva e os padrões de vida retardará o processo de recuperação", acrescentou a representante do Banco Mundial. O banco concluiu sua Estimativa Global Rápida de Danos (GRADE, na sigla em inglês) utilizando modelagem remota dos terremotos, dados sísmicos locais, imagens de satélite e relatórios de danos fornecidos pelo governo, por agências humanitárias e por outras organizações que atuam no local. A estimativa não inclui o custo de "reconstruir melhor", por meio de melhorias estruturais ou da modernização dos padrões de construção. Esses custos, incluindo a remoção de escombros, podem variar entre duas e duas vezes e meia o custo de reposição dos bens destruídos, elevando a conta total para perto de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 255 bilhões). A estimativa também não inclui as perdas econômicas diretas. A expectativa é que a oferta de mão de obra seja reduzida em 1% neste ano. A instituição informou que está trabalhando com o governo venezuelano, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) em uma avaliação mais abrangente dos custos de recuperação e reconstrução da Venezuela. Estudos desse tipo normalmente levam meses para serem concluídos, enquanto as avaliações do GRADE são realizadas em poucas semanas. A avaliação mostrou que 47% dos danos ocorreram em edifícios residenciais, 27% em infraestrutura e 26% em construções não residenciais. O Banco Mundial afirmou que o ritmo da reconstrução será um fator decisivo para determinar a recuperação econômica e os resultados sociais do país. Sem um aumento dos investimentos públicos e privados, a capacidade produtiva e o PIB provavelmente permanecerão abaixo dos níveis anteriores aos terremotos até pelo menos 2036, segundo a instituição. Segundo a entidade, a contratação de novos empréstimos aumentaria o já elevado estoque da dívida venezuelana, mas poderia impulsionar um crescimento mais forte, fortalecendo gradualmente a posição fiscal do país.