Índices acionários também são afetados pela reação negativa dos investidores aos resultados trimestrais da Tesla e da Alphabet Pedestres diante da Nasdaq, em Nova York — Foto: Yuki Iwamura/Bloomberg O cenário geopolítico dita o rumo das negociações nesta quinta-feira (23), com o barril do petróleo Brent acima da marca de US$ 100. A dinâmica no mercado de energia leva os rendimentos dos Treasuries e o dólar no exterior a subirem, ao mesmo tempo em que pressiona as bolsas americanas. Os índices também são afetados pela reação negativa dos investidores aos resultados trimestrais da Tesla e da Alphabet. Próximo às 12h45 (horário de Brasília), o petróleo Brent com entrega para setembro subia 7,10%, a US$ 100,75 por barril, na ICE. O WTI com vencimento para o mesmo mês tinha alta de 6,37%, a US$ 92,36, na New York Mercantile Exchange (Nymex). A disparada nos preços do petróleo acontece com a abertura de novas frentes de combate na guerra entre Estados Unidos e Irã. Os houthis atacaram dois navios da Arábia Saudita no Mar Vermelho, alegando violação do bloqueio naval imposto pelo grupo. A implementação da medida cria mais uma restrição no transporte global de petróleo e pode pressionar ainda mais os preços do barril, visto que os sauditas exportavam cerca de 4 milhões de barris por dia pelo Mar Vermelho. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que responsabilizará o Irã pelos ataques Houthis e ameaçou ambos com novas retaliações. “Os houthis são um representante e/ou grupo por procuração do Irã, e uma grande punição militar será imposta ao Irã e, é claro, aos próprios houthis”, escreveu o republicano na Truth Social. O Citi observa que há uma série de cenários possíveis para o petróleo, embora adote uma posição mais otimista quanto ao recuo dos preços, devido à proximidade das eleições de meio mandato nos Estados Unidos. “Trump prefere um caminho de desescalada, pelo menos na medida em que o Irã esteja disposto a negociar e a cumprir os acordos firmados. Assim, nossa projeção base aponta para preços de petróleo mais baixos. Mas, por enquanto, essa importante fonte de incerteza persiste.” Os cenários ventilados pelo banco contam com a possibilidade de um recuo dos preços do petróleo para US$ 70 com a retomada das negociações e a reabertura de Ormuz. Por outro lado, se as tensões forem persistentes, o valor do barril poderá ser mantido firmemente acima de US$ 100. O avanço dos preços do petróleo pressionou os mercados de renda fixa e câmbio americanos. A taxa da T-note de 2 anos avançava a 4,366%, de 4,302% do ajuste anterior, e a taxa da T-note de 10 anos subia a 4,708%, de 4,668%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, tinha alta de 0,33%, aos 101,46 pontos. “A perspectiva de interrupções no fornecimento de petróleo bruto está levando os operadores de mercado a temerem uma desaceleração do crescimento global, uma retomada da inflação e das expectativas inflacionárias. Os rendimentos dos títulos públicos subiram tanto ontem quanto hoje, e os índices de ações estão em baixa novamente”, aponta Thierry Wizman, estrategista da Macquarie. Os investidores ampliaram as apostas em um aperto da política monetária pelo Federal Reserve (Fed) ao longo da semana, com uma alta precificada para a reunião de setembro, segundo dados compilados pelo CME Group. O banco central americano, porém, deve manter as taxas inalteradas na semana que vem. O índice Dow Jones recuava 0,97%, aos 51.714,58 pontos. O S&P 500 cedia 1,35%, aos 7.397,71 pontos, e o Nasdaq tinha perdas de 2,54%, aos 25.037,80 pontos. O setor de tecnologia tinha queda de 1,47% e o de comunicação depreciava 5,22%. A Alphabet caía 6,78% mesmo após ter superado as expectativas dos analistas para o lucro do segundo trimestre. A companhia, porém, elevou as projeções de investimentos em meio aos crescentes gastos com inteligência artificial, o que gerou um certo grau de incômodo, visto que o mercado tem exibido mais cautela quanto aos gastos de hyperscalers. Os investidores também têm se mostrado mais exigentes com os números das empresas de tecnologia. Já a Tesla recuava 14,14% depois que o lucro da fabricante de veículos elétricos ficou abaixo das expectativas no segundo trimestre, mesmo com as entregas tendo avançado 25% em relação ao ano anterior.
Petróleo ultrapassa US$ 100, dólar e taxas de Treasuries sobem e bolsas de NY caem
Índices acionários também são afetados pela reação negativa dos investidores aos resultados trimestrais da Tesla e da Alphabet









