A classe trabalhadora mudou profundamente nas últimas décadas. Ao lado do operário do chão de fábrica, dos trabalhadores do comércio e de serviços, surgiram milhões de novos trabalhadores ligados à economia digital das plataformas. É a chamada "uberização", especialmente visível nos setores de transporte e entrega.

O fato de esses novos trabalhadores atuarem sozinhos em seu automóvel ou motocicleta permitiu às grandes plataformas (Uber, 99, IFood etc.) venderem a ideia de que são empreendedores de si próprios, mesmo trabalhando em jornadas exaustivas e obtendo um ganho muitas vezes insuficiente. Essa realidade colocou um enorme desafio para os sindicatos, a esquerda e os governos no mundo todo. Como garantir direitos aos novos trabalhadores? Como regular o modelo de negócio das plataformas digitais? E, antes de tudo, como dialogar com uma categoria tão difusa e individualizada?O governo Lula (PT) tem construído um caminho promissor, a partir de uma atuação conjunta da Secretaria-Geral da Presidência da República com o Ministério do Trabalho e outras pastas. Fizemos a lição de casa e enviamos equipes para escutar os trabalhadores em várias partes do Brasil. Reunimos lideranças num grupo de trabalho durante mais de três meses no Palácio do Planalto. E o esforço de diálogo trouxe grandes frutos.