Governo cria tarifa social de energia e joga conta nas costas da classe média, já sobrecarregadaNo ‘Fala, Duquesa!’ desta semana, colunista comenta sobre a MP que reforma o setor elétrico e reduz a conta de luz para 100 milhões de pessoas. Gerando resumoO setor elétrico deve passar por uma nova onda de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) a partir de 2027. Com os prejuízos decorrentes do corte de geração de energia, o chamado curtailment, muitas usinas solares e eólicas entraram na mira de compradores. Agora, com a publicação da portaria que regulamenta as regras para a compensação pelas interrupções forçadas das usinas, na terça-feira, 21, as operações podem ser destravadas, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast.PUBLICIDADEAlém das medidas para ressarcir as usinas, cujo montante está calculado em torno de R$ 3,3 bilhões, o leilão das baterias também deve incentivar as operações no setor, já que o aumento da capacidade de armazenamento tende a diminuir a necessidade de cortes compulsórios de energia.Neste ano, a situação se agravou para os projetos de geração renovável, principalmente aqueles instalados no Nordeste do País e no Norte de Minas Gerais. Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), somente neste ano, até o dia 30 de junho, a média dos cortes promovidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi de 27,9% da energia gerada por essa fonte. Em todo o ano de 2025, o curtailment chegou a 25,8%. Em volume cortado, o primeiro semestre já apresenta valor semelhante ao de todo o ano passado, 1.166 megawatt médio (MWm), ante 1.256 MWm (volume suficiente para abastecer entre 2,3 milhões a 3,5 milhões de residências).PublicidadeA presidente do Conselho de Administração da Absolar, Bárbara Rubim, ressalta que os leilões de reserva de capacidade de potência (LRCAP), que contrataram cerca de 20 gigawatt em março, e o processo de armazenamento por baterias, cuja expectativa é de uma contratação de 2 a 4 GW, acenderam uma luz no fim do túnel para os ativos renováveis.Leia também Desligar para não apagar: o paradoxo energético brasileiroRessarcimento a empresas por corte de geração de energia deve ficar faixa de R$ 3,3 bilhões“Há uma perspectiva real de melhora a partir dos leilões, mas temos ainda de entender o impacto e o potencial de ganho para esses projetos”, disse Rubim. “Todos os empreendimentos que estão sofrendo corte estão estressados. Na média, são 30% de faturamento a menos que o previsto. Eles têm de manter o contrato de entrega de energia e, para isso, compram a energia no mercado de curto prazo a valores elevados.”O sócio de energia e infraestrutura do escritório Dias Carneiro, Alexandre Leite, também acredita que os processos de fusão e aquisição de projetos renováveis devem ocorrer no curto prazo. Segundo ele, grandes fundos, tanto nacionais quanto internacionais, principalmente os especializados em empresas estressadas, já observam esses ativos com mais afinco.Publicidade“Se antes o vendedor pedia um preço para cobrir pelo menos o investimento feito no empreendimento, agora o que temos visto são empreendedores que querem repassar o projeto para sair do vermelho. Com isso, o preço está começando a convergir entre o que o comprador quer pagar e o que o vendedor quer receber”, disse Leite. “E, além disso, temos o leilão de baterias e as regras da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para curtailment, que dão mais visibilidade para a definição do preço e dos riscos dos ativos.”A portaria que regulamenta o ressarcimento aos geradores eólicos e solares pelos cortes de energia foi publicada na terça-feira.Mercado espera que operações de fusões e aquisições sejam destravadas e concluídas a partir de 2027 Foto: JF Diório/EstadãoO CFO da Mapa Capital, Fernando Camps, disse que muitos desses projetos já estão no mercado para renegociar suas dívidas com os bancos, mas, segundo ele, ainda é uma medida limitada para empresas que estão há muito tempo operando no vermelho. “É aí que estão as oportunidades de negócios. Existem coisas em andamento e é mais de um ativo em negociação. Na Mapa, compramos dívidas e convertemos em equity.”PublicidadeHoje, a Mapa ainda não tem ativos de energia operacionalmente no pipeline, ressalta Camps. “Esses seriam os primeiros. Temos duas grandes vertentes que estão sendo trabalhadas de forma mais setorizada: energia e agronegócio.”Segundo ele, o acionista de um ativo problemático está à espera de regras claras da Aneel e do leilão de baterias. “Mas há um tempo de implementação dessas baterias e, em todo esse período, o ativo segue sangrando; muitas vezes, os investidores estão fazendo a conta.”O diretor-superintendente de Investment Banking do Scotiabank Brasil, Bruno Salvoni, também acredita que os M&A do curtailment devem destravar no curto prazo. Segundo ele, os investidores já avaliam formas de alocação de risco para viabilizar esse tipo de transação. “A clareza regulatória pode desbloquear esses negócios. Players já estão se antecipando para essa mudança regulatória e tentando se posicionar”, disse Salvoni. “Os investidores já mostram interesse, mas não conseguem fazer a transação. Tem muito ativo à venda; é uma questão de preço e os compradores tentam alocar as incertezas de curtailment nesse valor.”Publicidade