Se você foi defensor do "voto impresso e auditável" e com base nesse grito se inscreveu no histórico movimento de 8 de janeiro de 2023, o presidente do TSE tem ideia a lhe oferecer: o "selo de acurácia eleitoral". Não tem a ver com promoção de eleições livres e justas, mas com a inoculação de um novo apito de desconfiança artificial contra o voto popular. Nas entrelinhas da esperteza populista, o apito traz escondido, de novo, a solução de ruptura. Duas ideias com o mesmo código genético.

O selo de acurácia eleitoral tem um contexto. O ministro Kassio Nunes Marques, a pedido do PL, suspendeu divulgação de pesquisa eleitoral da AtlasIntel após vazamento de áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. Alegou que a sondagem teve perguntas enviesadas.

Sem explicar a falha metodológica, teve um eureka regulatório: o TSE passaria a premiar institutos de pesquisa que, dias antes das eleições, cheguem mais perto do resultado. A intenção seria de "contribuir para a precisão entre os dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais" e "dar visibilidade às empresas com melhor desempenho".

Flávio Bolsonaro deu parabéns ao ministro. E ponderou: "Talvez, se o selo existisse, teriam vergonha de publicar essa pesquisa da Quaest de hoje". Num momento ruim da campanha, Kassio ofereceu ao gabinete do ódio uma arma de ataque contra institutos de pesquisa. Alguns aliados se empolgaram e propuseram que pesquisas só possam ser divulgadas após carimbo de qualidade do TSE.