Realeza espanhola publica bastidores do bicampeonato da EspanhaOs vídeos registraram momentos da presença do Rei Felipe VI, da Rainha Letizia, da Princesa Leonor e da Infanta Sofía no estádio. Crédito: Reprodução X/@CasarealEssa vitória não apareceu no placar, mas apareceu no lugar mais desejado da Copa do Mundo: o pódio. Enquanto Espanha e Argentina disputavam o título no MetLife Stadium no domingo, 19, a Adidas já havia vencido o que importava: as duas seleções em campo vestiam o mesmo logo. Não foi acidente de calendário. Foram 50 anos de paciência.PUBLICIDADEA Argentina é cliente da marca alemã desde 1974. A Espanha desde 1975. Algumas das pessoas que assistiram à final ontem não tinham nascido quando esses contratos foram assinados. E foi exatamente essa anterioridade que transformou 39 dias de Copa num inventário de exposição que nenhum orçamento de mídia compra diretamente. A Adidas acumulou US$ 48,9 milhões em valor de mídia espontânea durante o torneio. A rival americana Nike ficou com US$ 28,9 milhões. A diferença não veio de campanha melhor. Veio de relacionamento mais antigo. A empresa americana não ficou parada. Lançou “Rip the Script”, com Mbappé e Kim Kardashian, que alcançou 1,5 bilhão de visualizações na primeira semana. Haaland, o maior fenômeno do torneio com sete gols, usa chuteira americana. As vendas de uniformes das seleções que veste cresceram 2,5 vezes em relação à Copa anterior. Foi uma Copa excelente para a marca. Só que a outra marca teve uma Copa melhor. E, quando a Espanha levantou a taça, o logo que apareceu em todas as câmeras do planeta não era o dela.Leia tambémNovo tarifaço: Pix virou justificativa dos EUA para punir o Brasil por ter inovado bemAs bets não ganham quando você perde; ganham porque a matemática sempre foi delasO Ricardo, meu sócio, me disse que o maior erro que cometeu na vida empresarial foi trocar relacionamento por eficiência. Ele tinha um fornecedor de 20 anos. Chegou um mais barato. Trocou. O mais barato entregou o preço e cobrou o resto em prazo, em qualidade e em ausência quando o problema apareceu. O fornecedor antigo foi trabalhar para o concorrente. Relacionamento tem preço que não cabe em planilha.PublicidadeA derrota da empresa americana nessa Copa não foi de produto. Foi de portfólio. Investiu nos atletas certos. Chegou na competição certa. Só não tinha as seleções certas na fase certa. Um porta-voz afirmou que a visão da empresa para o futebol “nunca esteve ligada a um único momento”. É uma frase verdadeira dita no momento errado. Toda empresa que perde um confronto importante tem uma versão dessa frase guardada na gaveta.O capítulo seguinte tem ironia suficiente para um roteiro de cinema. A Alemanha, país de origem da Adidas, anunciou que será vestida pela rival americana a partir de 2027, encerrando uma parceria de mais de setenta anos. A marca alemã perde em casa o que ganhou no mundo. A americana ganha em casa o que perdeu no mundo. O mercado de patrocínio esportivo tem um senso de humor que os modelos de previsão raramente capturam.Adiadas patrocina as duas seleções finalistas da Copa do Mundo de 2026 Foto: Werther Santana/EstadãoO que a final de ontem ensina para qualquer gestora de marca, em qualquer setor, não tem a ver com futebol. Tem a ver com tempo. A Adidas ganhou a Copa de 2026 em 1974, quando assinou com a Argentina. Ganhou de novo em 1975, quando assinou com a Espanha. Passou 50 anos renovando, investindo, mantendo. E ontem, quando as câmeras mostraram as duas seleções em campo com o mesmo logo no peito, colheu o que havia plantado antes de qualquer um dos jogadores daquela final ter aprendido a andar.Consistência não é estratégia glamourosa. Não rende apresentação de PowerPoint. Não gera manchete no dia em que é tomada. Só aparece quando o momento chega. E, quando o momento é a final da Copa do Mundo, ela aparece para o mundo inteiro ver, e eu, claro, fui comprar minha Adidas.