Companhia avalia que debate sobre impacto em margens é precipitado e cita ações feitas anteriormente WEG — Foto: Rogerio Vieira/Valor O vice-presidente administrativo financeiro da WEG, André Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (22) que a volatilidade trazida pela nova imposição de tarifas pelos Estados Unidos a produtos produzidos no Brasil não são novidade para a companhia, que tem usado sua presença em diversos países para mitigar os efeitos da taxação. “É um pouco cedo para falar de impacto em margens, porque a companhia trabalha para mitigar parte disso. Mas a mensagem aqui é que, nesse momento, a gente está acompanhando com muita proximidade esses movimentos”, disse o executivo ao Valor. A companhia divulgou os resultados financeiros referentes ao segundo trimestre nesta manhã, mesmo dia em que a taxa adicional de 25% imposta pelo governo americano começou a valer. Segundo Rodrigues, as associações têm trabalhado junto ao governo brasileiro para tentar reverter este quadro, mas a mensagem principal, para a companhia, é a presença sua industrial global que “ajuda a navegar em momentos de maior volatilidade”. O executivo lembrou ainda que quando houve a primeira taxação, de 50%, a companhia já havia realizado um rearranjo na destinação de produtos aos Estados Unidos, que ainda ocorre, mas cresceu a participação do México no desenho de envios. Ele ponderou ainda que a decisão não considerou apenas a taxação, mas uma visão de longo prazo da companhia. Em relação à inclusão de produtos de geração, distribuição e transmissão (GTD) na lista de isenções, que vem sendo pleiteada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), ele afirmou que não teria efeito para a companhia uma vez que a produção ocorre nos próprios Estados Unidos e tem sido ampliada no país. Os produtos mais afetados para a WEG neste contexto são motores e produtos de automação, afirmou. Geração solar no Brasil Em relação à falta de projetos de geração solar centralizada no Brasil, o executivo avaliou que deve ser menos significativa para os números da companhia no segundo semestre. Na primeira metade do ano, a ausência nesta frente afetou os números da área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD) da companhia no mercado doméstico. “No segundo semestre do ano passado, a gente não teve uma carteira grande ou importante de geração solar centralizada, então, esse impacto daqui para frente é minimizado”, afirmou também em entrevista. Os produtos para transmissão e distribuição seguem com o mercado aquecido, completou. No todo, o executivo destacou um desempenho “dentro do esperado e acima do consenso” no segundo trimestre. Entre os destaques, ele citou a consistência no mercado externo, mesmo com impacto da variação cambial. A companhia reportou uma receita operacional líquida (ROL) no mercado externo de US$ 1,22 bilhão, aumento anual de 14,7%. Os maiores crescimentos foram observados nos mercados da América do Norte (alta anual de 20,0%) e na Europa (alta anual de 16,3%). Rodrigues reiterou ainda que para sustentar os níveis de crescimento da empresa, a companhia está executando um plano de investimentos de R$ 3,6 bilhões neste ano que contemplam, além das iniciativas nacionais, a expansão de capacidade na fábrica de transformadores de México, Colômbia, a modernização nos Estados Unidos, além da nova fábrica de motores de alta tensão na China. Oportunidade em baterias Diante da confirmação de um leilão para contratação de baterias para uso no sistema elétrico nacional, Rodrigues disse que a companhia está fazendo a lição de casa para aproveitar a oportunidade. “Agora a gente tem algo concreto, o leilão já tem uma data marcada, e é muito positivo”, disse. O executivo lembrou que a companhia tem hoje capacidade para produção de 1 gigawatt-hora (GWh) por ano, mas citou a ampliação que se dará a partir da fábrica em construção em Itajaí, em Santa Catarina, que acrescentará mais 2 GWh por ano. Em relação à decisão do governo de fazer uma primeira etapa do certame exclusivamente com projetos que tenham conteúdo local, Rodrigues avaliou a medida como “natural”. “Temos que voltar no passado, ver o que aconteceu no setor eólico, o que trouxe de benefícios essa questão do conteúdo local, de ter fabricantes locais. Caso contrário, seríamos importadores de máquinas somente, e isso não gera empregos, desenvolvimento de tecnologia no país”, pontuou. O executivo também avaliou como positivo os anúncios que empresas internacionais têm feito sobre a intenção de produzir baterias no país. “Acho que a gente está bem posicionado, essa fábrica vai estar pronta em algum momento do ano que vem. Então, a gente já começa bem aderente a essa demanda, com uma nova capacidade para atendê-la”, concluiu.