Direção petista vinculou senador e presidenciável do PL à imagem de “entreguismo” e à "cultura golpista" O PT explora ainda a reunião de Flávio com embaixadores, na qual ele colocou em xeque a lisura das eleições brasileiras — Foto: Lula Marques/Agência Brasil Com a entrada em vigor da taxação adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros nesta quarta-feira (22), o PT reforçou a estratégia de associar o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ao tarifaço. A direção petista lançou uma campanha em defesa da soberania do país e do Pix, e vinculou Flávio à imagem de “entreguismo”. O partido evitou ataques diretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e culpou a família Bolsonaro pelas medidas anunciadas pelo governo americano. O partido do presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva fez ainda acenos aos empresários, em busca de mais diálogo, ao defender a indústria nacional, o comércio e “todos os setores afetados” pelo tarifaço, com a “garantia de oportunidades para quem produz e trabalha”. Ao lançar a campanha “O Brasil não se entrega”, “em defesa da soberania nacional e contra o tarifaço”, o PT afirmou que a família Bolsonaro incentivou os ataques comerciais contra a economia brasileira e disse que as medidas colocam em risco os empregos e as empresas brasileiras. O partido disse ainda que os Bolsonaros demonstram “que há quem esteja disposto a colocar interesses políticos e pessoais acima dos interesses do país”. O PT destacou ainda a defesa do Pix contra a pressão comercial dos Estados Unidos. “Proteger o PIX é impedir que interesses estrangeiros interfiram em uma conquista do povo brasileiro.” Com o novo tarifaço, o partido reeditou a estratégia de defesa da soberania feita no ano passado, quando o governo Donald Trump anunciou sobretaxas a produtos brasileiros. A defesa dos interesses nacionais será um dos eixos centrais da pré-campanha à reeleição de Lula. O comando petista tem explorado a atuação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto ao governo americano. Aliados de Trump, Flávio e Eduardo reuniram-se com presidente dos Estados Unidos em Washington, no fim de maio. Pouco tempo depois, o presidente dos EUA anunciou o novo tarifaço. A pré-campanha de Flávio teme o desgaste político com a medida do governo americano. ‘Cultura golpista’ O PT explorou ainda a reunião feita por Flávio na terça-feira (21), em Brasília, com embaixadores, na qual o presidenciável do PL colocou em xeque a lisura das eleições brasileiras, ao espalhar informações falsas a respeito das urnas eletrônicas. A uma plateia estrangeira, o pré-candidato afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartic, o que não é verdadeiro. A empresa é acusada pelo governo dos Estados Unidos de supostamente estar envolvida em um plano de fraude na eleição na Venezuela de 2012. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já afirmou, no entanto, que o Brasil não usa urnas dessa empresa em questão. “Flávio Bolsonaro prova que tem a mesma cultura golpista do pai, Jair Bolsonaro, e adota os mesmos métodos utilizados nas eleições de 2022”, criticou o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em nota. O dirigente petista disse que Flávio reuniu diplomatas internacionais para questionar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro, “pelo qual ele foi eleito parlamentar por diversas vezes, bem como seus familiares”. “Sabemos quais são as consequências dessa ofensiva antidemocrática. Como provado na investigação e, posteriormente, no julgamento, da tentativa de golpe de janeiro de 2023, tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia. E o resultado pode ser gravíssimo, como a história recente demonstrou”, disse Edinho, em nota. Flávio repetiu ação feita pelo então presidente Jair Bolsonaro em 18 de julho de 2022, que levou à condenação pela Justiça Eleitoral. Na ocasião, Jair Bolsonaro também atacou as urnas eletrônicas e colocou em xeque a eleição brasileira. Após os ataques ao sistema eleitoral do Brasil, Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão da Corte tornou Bolsonaro inelegível por oito anos, até 2030. O senador, no entanto, disse, na terça-feira, que não estava colocando em dúvida o processo eleitoral brasileiro.