Nova legislação permite a adoção de parentes distantes do sexo masculino e impede que mulheres percam o status real ao se casar, mas continua barrando a ascensão feminina ao trono 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Japão muda regras da família imperial por falta de herdeiros, mas mantém veto a mulheres no trono — Foto: AFP via Getty Images RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 08:58 Japão aprova reforma na família imperial para solucionar escassez de herdeiros masculinos O Japão aprovou uma significativa reforma na família imperial para lidar com a escassez de herdeiros ao Trono do Crisântemo. A nova legislação permite a adoção de parentes distantes do sexo masculino e impede que mulheres percam o status real ao casar, mas ainda proíbe a ascensão feminina ao trono. Assim, figuras como a princesa Aiko permanecem fora da linha sucessória, mantendo a tradição de sucessão apenas masculina. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Parlamento do Japão aprovou uma das maiores reformas da família imperial em décadas para enfrentar a escassez de herdeiros ao Trono do Crisântemo, a mais antiga monarquia hereditária contínua do mundo. A nova legislação permite a adoção de parentes distantes do sexo masculino e autoriza que integrantes femininas mantenham seus títulos após se casarem com plebeus, mas preserva a proibição de mulheres assumirem o trono. A mudança ocorre em meio à redução do número de membros da Casa Imperial. Atualmente, apenas três homens têm direito à sucessão: o príncipe herdeiro Fumihito, irmão mais novo do imperador Naruhito; seu filho, o príncipe Hisahito, de 19 anos; e o príncipe Hitachi, tio de Naruhito, que completou 90 anos. Pela nova legislação, parentes homens descendentes de 11 antigos ramos da família imperial, excluídos da linhagem após a Segunda Guerra Mundial, poderão ser adotados pela Casa Imperial a partir dos 15 anos. A medida busca ampliar o número de possíveis sucessores e garantir a continuidade da dinastia. Outra mudança significativa permite que princesas permaneçam como integrantes da família imperial mesmo após se casarem com cidadãos comuns. Até então, a legislação determinava que mulheres perdessem automaticamente o status real nessas circunstâncias. Foi o que ocorreu com a princesa Mako, sobrinha do imperador Naruhito. Em 2021, ela renunciou ao título para se casar com Kei Komuro, colega dos tempos de universidade. Após o casamento, o casal se mudou para Nova York, onde Komuro atua como advogado. Apesar das alterações, a lei que restringe a sucessão ao trono exclusivamente aos homens permanece inalterada. Assim, a princesa Aiko, de 24 anos, única filha do imperador Naruhito e da imperatriz Masako, continua impedida de se tornar imperatriz, embora seja uma das integrantes mais populares da família imperial japonesa. Nascida em 2001, após o casal imperial recorrer a tratamento de fertilidade, Aiko vive no Palácio Imperial, em Tóquio, e trabalha na Divisão de Juventude e Voluntariado da Cruz Vermelha Japonesa, conciliando a função com a agenda oficial da realeza. Como membro da família imperial, ela também está sujeita a rígidas restrições, como a proibição de participar da vida política ou votar. A reforma representa a primeira alteração no texto principal da Lei da Casa Imperial desde 1949 e é considerada a mais ampla mudança no sistema sucessório japonês em várias décadas. Ainda assim, o debate sobre permitir que mulheres ocupem o trono segue sem consenso no país, mantendo a sucessão exclusivamente na linha masculina.