Indústria gráfica nacional mantém relevância mesmo diante do avanço digital, à medida que empresas regionais se adaptam a uma demanda cada vez mais integrada ao comércio eletrônico. Dalmi Fernandes Defanti Junior — Foto: Divulgação O setor gráfico brasileiro segue relevante para a economia nacional, mesmo décadas após a popularização das plataformas digitais. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Gráfica, o país reúne mais de 15 mil empresas do segmento, responsáveis por uma cadeia produtiva que segue gerando empregos formais e sustentando negócios em diferentes regiões. Nesse cenário, ganham espaço empresas regionais que acompanharam a evolução do setor ao longo de décadas. É o caso da Gráfica Print, fundada em 1994 em Cuiabá, no Mato Grosso, por Dalmi Fernandes Defanti Junior. Papel impresso resiste à digitalização por cumprir funções que o meio digital não substitui Apesar da migração de parte da comunicação para meios digitais, a indústria gráfica manteve capacidade de gerar renda e empregos nos últimos anos. Dalmi Fernandes Defanti Junior explica essa resistência pela natureza de parte do que o setor produz. Embalagens, comunicação visual e materiais institucionais, segundo ele, ainda exigem presença física que o ambiente digital não substitui por completo. Essa combinação entre tradição e adaptação tecnológica ajuda a entender por que empresas do setor conseguem se manter competitivas mesmo diante da transformação digital acelerada dos últimos anos. Comércio eletrônico se torna vetor de crescimento para gráficas de maior porte Um dos vetores de crescimento mais relevantes do setor atual está ligado à expansão do comércio eletrônico brasileiro. A demanda por soluções de impressão personalizadas, como embalagens sob medida e materiais promocionais, cresce junto com o avanço das vendas online no país. O fundador da Gráfica Print avalia essa integração entre impressão e comércio eletrônico como uma das principais frentes de expansão para gráficas de médio e grande porte nos próximos anos. Empresas capazes de atender a essa demanda com agilidade tendem a ocupar posição de destaque em mercados regionais, como o do Centro-Oeste brasileiro. Gestão de longo prazo sustenta crescimento de empresas familiares do setor A trajetória da Gráfica Print também ilustra um padrão comum entre gráficas brasileiras de maior porte, muitas construídas ao longo de décadas por meio de gestão familiar. Fundada com uma única máquina alugada, a empresa expandiu sua estrutura até se tornar referência em produção gráfica no Mato Grosso. Sustentar esse crescimento, na visão de Dalmi Fernandes Defanti Junior, exigiu equilíbrio entre investimento contínuo em tecnologia e manutenção da cultura de gestão construída desde a fundação da empresa. Acompanhar as inovações do setor sem abrir mão da identidade construída ao longo de décadas é, segundo ele, um dos principais desafios enfrentados por empresas gráficas de origem familiar. Setor projeta próxima fase de expansão apoiada em tecnologia O setor gráfico brasileiro deve seguir em trajetória de adaptação tecnológica nos próximos anos, sustentado por segmentos como embalagens, comunicação visual e materiais integrados ao comércio eletrônico. Empresas regionais consolidadas, com estrutura de produção robusta e gestão de longo prazo, tendem a ocupar posição relevante nesse novo ciclo do mercado. O futuro do setor gráfico brasileiro depende diretamente da capacidade das empresas de unir tradição industrial e inovação tecnológica, sem perder de vista a qualidade que sustentou o crescimento do segmento ao longo das últimas décadas, segundo avalia o fundador da Gráfica Print.