Passagem, uma via marítima entre Irã e Omã por onde antes da guerra com os EUA passavam cerca de 20% das remessas mundiais de energia, está em grande parte bloqueada Estreito de Ormuz: para comando da AIE, guerra no Oriente Médio é o maior choque de energia da história, — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou, nesta terça-feira (21), que o mundo deverá se preocupar com a segurança energética se Estados Unidos e Irã não restabelecerem em breve o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. "A segurança do abastecimento de petróleo continua sendo uma questão crítica", disse Birol durante um evento do Council on Foreign Relations. "Devemos estar preocupados, e eu estou preocupado, se a situação não melhorar nas próximas semanas." O Estreito de Ormuz, via marítima entre Irã e Omã por onde antes da guerra passavam cerca de 20% das remessas mundiais de energia, está em grande parte bloqueado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Apesar da forte alta dos preços da energia, Birol disse que diversos fatores moderaram essa elevação. Entre eles, estão os estoques da China, que somavam mais de 1 bilhão de barris de petróleo antes da guerra, a economia de combustível obtida com o maior uso de veículos elétricos e do transporte público, além de uma liberação coordenada pela AIE de 400 milhões de barris de petróleo. No entanto, Birol, que já classificou a guerra no Oriente Médio como o maior choque de fornecimento de energia da história, afirmou que as soluções adotadas até o momento não vão "durar para sempre". Birol anunciou que o aumento da produção nos EUA, maior produtor mundial de petróleo e gás, também contribuiu para a situação. "É muito positivo. Os EUA podem elevar a produção em 1 milhão ou 2 milhões [de barris por dia], mas não em 10 milhões", frisou. Impacto desigual nas economias do mundo Segundo ele, a crise no fornecimento de petróleo e gás prejudicou economias em todo o mundo, mas de forma desigual. "Principalmente a Ásia, porque a região recebia de 80% a 90% dessa energia pelo Estreito de Ormuz", afirmou. Japão e Coreia do Sul foram afetados, mas os países em desenvolvimento, incluindo Paquistão, Bangladesh e Índia, sofreram os impactos mais severos, acrescentou. Birol destacou os riscos potenciais à saúde para a população dos países em desenvolvimento, especialmente as mulheres, que passaram a utilizar combustíveis alternativos para cozinhar, como esterco e lenha, que geram emissões mais nocivas, à medida que os derivados de petróleo se tornaram inacessíveis devido aos preços. Os preços do petróleo caíram cerca de US$ 20 por barril após a liberação coordenada de estoques pela AIE em março, e a medida sinalizou aos mercados que a organização, que representa mais de 30 países, poderá recorrer novamente às reservas se a situação piorar. "Embora tenha sido uma medida enorme", disse Birol sobre a liberação de até 400 milhões de barris, "isso representou apenas 20% dos estoques que temos; os outros 80% continuam guardados".