Guerra no Irã pode escalar e aumentar ainda mais o preço, mas com solução para conflito cotação pode recuar abaixo de US$ 80, estima economista Apesar do cenário de muita incerteza e volatilidade, a avaliação do Itaú Unibanco é a de que dificilmente o preço internacional do petróleo ficará nos patamares atuais. "Ou a guerra [no Irã] vai escalar e ele [o preço] piora; ou a guerra tem uma solução e ele volta a recuar para patamares até mesmo abaixo de US$ 80", disse o economista Pedro Schneider em encontro com a imprensa hoje, em São Paulo. "Assumindo que o conflito em algum tempo será resolvido, o mercado não consegue ficar com prêmio de risco muito alto por muito tempo", afirmou. Ele observou que, quando houve o último esboço de entendimento entre as partes envolvidas no conflito no Oriente Médio, o preço do petróleo recuou rapidamente. "No curto prazo, não vemos muito sinal de entendimento, mas esse curto prazo é bem curto mesmo. A visibilidade está muito baixa", disse. Pedro Schneider, do Itaú: visibilidade sobre desdobramentos de guerra no Irã e impacto no petróleo está muito baixa — Foto: Divulgacao Segundo Schneider, esses ambientes têm duas implicações para os ativos: primeiro, a menor tomada de risco; segundo, uma condução de política econômica feita com mais cautela pelos países. Ao mesmo tempo, quanto mais o conflito dura, mais o mercado vai entendendo que o choque de preços é permanente e pode exigir reação dos bancos centrais, observou Schneider. O Itaú Unibanco espera que o Federal Reserve (banco central americano) suba os juros em setembro e em outubro deste ano. "Não é um ambiente global tão fácil assim para países emergentes como o Brasil", afirmou. Esse é um dos fundamentos que tornam difícil ver cenários para um real muito mais apreciado do que no momento, disse Julia Gottlieb, também economista do Itaú Unibanco. O banco espera um câmbio em R$ 5,30 por dólar ao fim de 2026. Anos eleitorais também costumam apresentar um aumento no prêmio de risco, observou Gottlieb. "A gente tem na projeção um prêmio de risco um pouco acima do que está hoje", disse ela, reforçando que "o cenário externo é bastante relevante" para a projeção de câmbio do banco. A dupla petróleo e câmbio ainda é a fonte dos principais riscos para a projeção de inflação do Itaú este ano, atualmente em 5,4%. "O que a gente tem visto na ponta é um petróleo maior, entre US$ 85 e US$ 90, mas um câmbio mais apreciado. Por enquanto, dá para dizer que o petróleo deixou de ser um risco baixista, mas, como está sendo compensado pelo câmbio, o cenário de 5,4% parece equilibrado", afirmou Gottlieb.