0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navio Magic Seas afundou no Mar Vermelho após ataque de houthis — Foto: ANSARULLAH MEDIA CENTRE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 18:17 Tensão EUA-Irã eleva petróleo e afeta política monetária global A tensão entre EUA e Irã, agravada pela entrada dos Houthis, elevou o petróleo a US$ 100, impactando a economia global. Especialistas preveem manutenção ou aumento dos juros em economias desenvolvidas, mas no Brasil a Selic deve cair em agosto. A crise geopolítica, com estoques baixos de petróleo, dificulta a intervenção governamental, exigindo respostas monetárias mais duras para conter a inflação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, agravada pela entrada dos rebeldes Houthis no conflito no Mar Vermelho, levou o barril de petróleo a fechar acima de US$ 100 nesta terça-feira, patamar que não era alcançado desde 26 de maio. O agravamento da crise geopolítica impõe um novo choque de oferta à economia global que, segundo André Senna Duarte, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio, se soma a uma sequência de interrupções iniciada ainda durante a pandemia. Na avaliação do economista, um dos principais efeitos da nova alta do petróleo deve ser a manutenção — ou até o recrudescimento — dos juros em economias desenvolvidas, especialmente nos Estados Unidos. No Brasil, porém, apesar da piora do cenário externo, a expectativa continua sendo de mais um corte da taxa Selic na reunião de agosto. — A nova rodada de alta dos preços da energia e de outras commodities pode levar os bancos centrais das economias desenvolvidas a apertarem novamente a política monetária. Em particular, o Federal Reserve pode voltar a elevar os juros caso o aumento dos preços da energia se mostre persistente. No Brasil, por outro lado, o Banco Central tem sinalizado que ainda há espaço, embora limitado, para novas reduções da taxa básica e, por enquanto, tem se mostrado menos sensível às oscilações dos preços da energia e aos conflitos geopolíticos — afirma. Estudo projeta alta de 47% nas mortes por poluição do transporte no Brasil; reversão exige eletrificação ambiciosa da frota Duarte explica que, para conter a alta do petróleo nos últimos meses, diversos países recorreram às suas reservas estratégicas, reduzindo os estoques a níveis historicamente baixos. Com menor capacidade de intervenção, diz ele, os governos terão mais dificuldade para amortecer novos aumentos da commodity, o que pode exigir uma resposta mais dura da política monetária para conter a inflação. — Essa nova deterioração na região ocorre justamente em um momento em que os estoques já estavam bastante reduzidos. Isso aumenta o risco de uma escalada ainda mais intensa dos preços do petróleo e amplia os efeitos negativos sobre a economia global. O economista observa ainda que, antes do início do conflito, muitos analistas avaliavam que o Irã teria capacidade de bloquear o Estreito de Ormuz por, no máximo, três semanas — prazo que já foi amplamente superado. Segundo Duarte, a resistência demonstrada pelo país e a dificuldade dos Estados Unidos em encontrar uma solução para o conflito alteraram as expectativas do mercado e contribuíram para prolongar as incertezas. — Hoje observamos que a capacidade do Irã de afetar o fluxo global de energia e mercadorias é maior do que se imaginava inicialmente. Além disso, o presidente Donald Trump ainda não conseguiu alcançar o desfecho esperado para o conflito. Nem a estratégia de enfraquecimento do regime produziu os resultados esperados, nem as negociações avançaram. Esse impasse prolonga a crise e amplia seus efeitos sobre a economia mundial.