Novo e Lilly travam intensa disputa pela liderança no mercado americano de medicamentos contra obesidade, que analistas esperam que ultrapasse US$ 100 bi até 2030 A Novo alega que a Lilly comparou doses mais altas aprovadas de seus medicamentos com doses menores de Wegovy e Ozempic, da Novo — Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg A Novo Nordisk processou a rival Eli Lilly em um tribunal federal dos Estados Unidos, nesta terça-feira (21), acusando a farmacêutica americana de publicidade enganosa ao afirmar que seus medicamentos para perda de peso superam os produtos da Novo. A empresa dinamarquesa entrou com a ação no Tribunal Distrital dos EUA em Nova Jersey, alegando que a Lilly violou leis federais e estaduais sobre publicidade enganosa e concorrência desleal, incluindo a Lei Lanham, por meio de campanhas publicitárias nacionais para o medicamento contra obesidade Zepbound e o tratamento para diabetes Mounjaro. A Novo alega que a Lilly comparou as doses mais altas aprovadas de seus medicamentos com doses menores de Wegovy e Ozempic, da Novo, omitindo versões mais recentes e de doses mais elevadas que, segundo a empresa, proporcionam maior perda de peso. A Eli Lilly, sediada em Indianápolis, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. “Os anúncios são maliciosamente e enganosamente falsos porque a Lilly cita deliberadamente estudos clínicos desatualizados que comparam as doses mais altas dos medicamentos da Lilly com doses menores dos medicamentos da Novo Nordisk”, escreveu a Novo em sua ação. Novo e Lilly estão travando uma intensa disputa pela liderança no mercado americano de medicamentos contra obesidade, que analistas esperam que ultrapasse US$ 100 bilhões até 2030. Os Estados Unidos são um dos poucos países que permitem que empresas farmacêuticas anunciem medicamentos sujeitos a prescrição diretamente aos consumidores. As fabricantes de medicamentos gastam bilhões de dólares todos os anos em televisão e outras formas de publicidade. A Novo foi a primeira a lançar no mercado a injeção para perda de peso Wegovy, mas posteriormente perdeu a liderança para o rival Zepbound, da Lilly. Após substituir seu diretor-presidente e emitir múltiplos alertas de lucro no ano passado, a Novo reagiu com o Wegovy oral, cuja forte demanda se manteve apesar do lançamento do comprimido concorrente da Lilly. A Novo afirmou que busca uma ordem judicial obrigando a Lilly a retirar os anúncios e a realizar uma campanha publicitária corretiva. A empresa acrescentou que pretende solicitar uma liminar preliminar caso a Lilly não remova voluntariamente as peças publicitárias. Empresas farmacêuticas frequentemente processam umas às outras por alegações de violação de patentes. Processos por publicidade enganosa são menos comuns. A Novo também busca indenizações, incluindo os lucros da Lilly que possam ser atribuídos aos anúncios. A Novo afirmou ter enviado uma notificação extrajudicial à Lilly em abril, após os Estados Unidos aprovarem uma dose de 7,2 miligramas de Wegovy. A Lilly não respondeu à carta, disse à Reuters o diretor jurídico da Novo, John Kuckelman, acrescentando que a empresa, em vez disso, inseriu o que ele descreveu como um aviso inadequado nos anúncios. A Novo afirma que a escala da campanha da Lilly é enorme. A campanha publicitária foi exibida aos consumidores mais de 700 milhões de vezes desde que a Lilly modificou seus anúncios após a carta enviada pela Novo no fim de abril. Kuckelman afirmou que os anúncios da Lilly comparam resultados de perda de peso de cerca de 50 libras para o Zepbound com aproximadamente 33 libras para o Wegovy, embora nenhum estudo comparativo direto tenha avaliado as doses mais altas aprovadas dos medicamentos. Segundo ele, estudos de fase avançada separados das doses mais elevadas mostraram perda média de peso de cerca de 48 libras para o Zepbound e 47 libras para o Wegovy.