Ottawa vem se tornando um parceiro de defesa cada vez mais importante para os países europeus, à medida que busca diversificar gastos militares para reduzir dependência dos EUA Um bombardeiro B-52H Stratofortress da Força Aérea dos EUA sobrevoa o Farnborough International Airshow , em Farnborough , Grã-Bretanha, em 24 de julho de 2024 — Foto: REUTERS/Toby Melville/Foto de Arquivo O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, conquistou nesta terça-feira um primeiro avanço na área de defesa com a entrada do Canadá como observador no Programa Global de Combate Aéreo (GCAP, na sigla em inglês), que prevê o desenvolvimento de um caça furtivo de nova geração pelo Reino Unido, Itália e Japão. O programa, que tem sua primeira expansão para além dos membros fundadores, também faz parte de um esforço mais amplo de aliados europeus para reduzir a dependência de armamentos e tecnologia militar dos Estados Unidos. O anúncio coincide com a realização do Salão Aeronáutico de Farnborough, principal evento da indústria aeroespacial e de defesa, em um momento em que as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio impulsionam a demanda por equipamentos que vão de drones de combate e mísseis interceptadores a softwares militares baseados em inteligência artificial. O evento também ocorre nos primeiros dias de Burnham como premiê. Ele nomeou John Healey, defensor do aumento dos gastos militares britânicos, para o Ministério das Finanças, enquanto transferiu o então ministro da Saúde, Wes Streeting, para comandar o Ministério da Defesa. As nomeações impulsionaram nesta terça-feira as ações de empresas britânicas dos setores de defesa e aeroespacial, à medida que investidores apostam que o novo governo está disposto a fortalecer a capacidade militar do Reino Unido. "Estou ansioso para trabalhar com ele em sua nova função", disse a jornalistas durante o evento o presidente-executivo da Rolls-Royce, Tufan Erginbilgic, referindo-se a Healey. "Ele conhece a Rolls-Royce, conhece nossa agenda e sabe o quanto contribuímos para o país." A BAE Systems, a Boeing e a Saab também assinaram um acordo para ampliar a parceria destinada a oferecer ao Reino Unido uma nova aeronave de treinamento para pilotos de caças, baseada no sistema T-7 da Boeing, que poderá substituir a envelhecida frota de jatos Hawk. Antes de assumir o Ministério das Finanças, Healey passou meses pressionando o então primeiro-ministro Keir Starmer para estabelecer uma meta de elevar os gastos com defesa para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, em vez dos 2,68% previstos no orçamento aprovado pelo governo anterior. "Como ministro da Defesa, John Healey defendeu a indústria britânica, reconhecendo a contribuição do setor de defesa para o crescimento econômico e a segurança nacional", afirmou o presidente-executivo da BAE Systems, Charles Woodburn. O Canadá vem se tornando um parceiro de defesa cada vez mais importante para os países europeus, à medida que busca diversificar seus gastos militares para reduzir a dependência dos Estados Unidos e estreitar seus laços com o continente. O status de observador não envolve qualquer compromisso financeiro, mas o Canadá poderá aderir formalmente ao programa no futuro, dividindo os custos bilionários de desenvolvimento e, potencialmente, encomendando os novos caças. Empresas de defesa representam metade dos cerca de 1.600 expositores desta edição do Salão de Farnborough, um recorde que evidencia a mudança em relação ao predomínio tradicional da aviação comercial e reflete como os conflitos recentes vêm alterando as prioridades de investimento.