Os Estados Unidos pretendem reduzir significativamente as contribuições militares disponíveis para auxiliar aliados europeus em caso de crise, incluindo caças, navios de guerra e aeronaves de reabastecimento em voo. A informação foi divulgada nesta terça-feira (26) pela revista alemã Spiegel. A aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enfrenta uma pressão sem precedentes, com alguns países europeus preocupados com a possibilidade de Washington abandonar completamente o bloco. O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou aliados europeus por não gastarem o suficiente com suas Forças Armadas e prometeu retirar milhares de soldados americanos da Alemanha. Sua ambição de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo dinamarquês, também agravou as tensões transatlânticas. Trump também criticou duramente os aliados europeus pela falta de apoio na reabertura do Estreito de Ormuz à navegação durante a guerra com o Irã. Na ocasião, o republicano afirmou que considerava retirar os EUA da Otan e questionou se Washington estaria obrigado a honrar a cláusula de defesa mútua da aliança. Segundo a Spiegel, um enviado do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, apresentou o plano a altos representantes dos países-membros na sede da Otan, em Bruxelas, no fim da semana passada. Três fontes familiarizadas com o assunto disseram à Reuters que o governo Trump planejava informar os aliados da Otan, na semana passada, que reduziria o conjunto de capacidades militares disponibilizadas à aliança em situações de crise. Os EUA pretendem fornecer apenas metade do número anterior de bombardeiros estratégicos, segundo a reportagem. Mais especificamente, o número de caças americanos disponíveis deve cair em um terço, afirmou a Spiegel, citando declarações do enviado americano Alexander Velez-Green durante a reunião fechada. A Marinha dos EUA também deverá disponibilizar menos destróieres para a aliança militar, e Washington não pretende mais fornecer submarinos ao grupo. Com as mudanças, a Europa será obrigada a fornecer seus próprios drones de reconhecimento, enquanto os EUA planejam reduzir significativamente a oferta de modelos armados. Os EUA apresentarão mais detalhes durante uma conferência de geração de forças no início de junho, acrescentou o periódico alemão. O Ministério da Defesa da Alemanha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters. Uma porta-voz da Otan disse à Spiegel que houve “dependência excessiva” dos EUA no planejamento de forças da aliança e que, com Europa e Canadá ampliando investimentos em defesa, as responsabilidades militares dentro da Otan poderão ser reorganizadas. Soldados do Exército dos EUA em posição de sentido ao lado de uma bandeira americana durante o exercício da OTAN Scorpions Legacy 22, com a participação de forças da França, Estados Unidos, Romênia, Itália, Portugal e Bulgária, no Centro de Treinamento de Combate Secundário em Smardan, Romênia, na sexta-feira, 3 de junho de 2022 — Foto: Andrei Pungovschi/Bloomberg